{"id":54635,"date":"2023-10-08T15:01:07","date_gmt":"2023-10-08T18:01:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.fatosefotosnews.com.br\/reggae-ritmo-jamaicano-sofreu-preconceito-ate-ter-reconhecimento\/"},"modified":"2023-10-08T15:01:07","modified_gmt":"2023-10-08T18:01:07","slug":"reggae-ritmo-jamaicano-sofreu-preconceito-ate-ter-reconhecimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.fatosefotosnews.com.br\/?p=54635","title":{"rendered":"Reggae: ritmo jamaicano sofreu preconceito at\u00e9 ter reconhecimento"},"content":{"rendered":"<p>A cidade de S\u00e3o Lu\u00eds tem\u00a0motivos\u00a0para comemorar: aos 411 anos, a capital maranhense foi agraciada com o t\u00edtulo de <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2023-09\/sao-luis-do-maranhao-recebe-o-titulo-de-capital-nacional-do-reggae\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">capital nacional do reggae<\/a>, concedida <a href=\"https:\/\/legis.senado.leg.br\/norma\/37593745\/publicacao\/37596369\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">por lei.<\/a>\u00a0Mas o caminho que o ritmo e seus admiradores, a chamada massa regueira, percorreu ao longo dos mais de 40 anos em que aportou na Jamaica brasileira, um dos ep\u00edtetos de S\u00e3o Lu\u00eds, foi marcado por preconceito, discrimina\u00e7\u00e3o e at\u00e9 racismo. Da estigmatiza\u00e7\u00e3o, a aceita\u00e7\u00e3o e reconhecimento, \u00e9 um pouco dessa trajet\u00f3ria que a <strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong> vem contar.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1559730&#038;o=node\" style=\"width:1px;height:1px\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1559730&#038;o=node\" style=\"width:1px;height:1px\"><\/p>\n<p>N\u00e3o se sabe ao certo como o reggae chegou ao Maranh\u00e3o, mas o fato \u00e9 que o ritmo jamaicano j\u00e1 est\u00e1 presente, desde meados de 1970, nas festas da cultura popular, em bailes, com pequenas aparelhagens, as radiolas, nas periferias. Algumas vers\u00f5es apontam que os maranhenses come\u00e7aram a curtir o rimo ao sintonizar r\u00e1dios caribenhas de ondas curtas.<\/p>\n<h2>Origem<\/h2>\n<p>Pesquisadora sobre o g\u00eanero, a especialista em Jornalismo Cultural e mestra em Ci\u00eancias Sociais pela Universidade Federal do Maranh\u00e3o (UFMA), Karla Freire, conta\u00a0\u00e0 <strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong> que a hip\u00f3tese mais prov\u00e1vel \u00e9 que o reggae tenha aportado no Maranh\u00e3o trazido\u00a0por marinheiros vindos da Guiana e de ilhas do Caribe.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cO que \u00e9 comprovado \u00e9 que, sim, alguns ritmos caribenhos eram escutados aqui atrav\u00e9s das ondas curtas, mas ningu\u00e9m consegue dizer que o reggae chegou aqui atrav\u00e9s das ondas curtas do r\u00e1dio. Ent\u00e3o a hip\u00f3tese mais prov\u00e1vel da chegada do reggae aqui no Maranh\u00e3o \u00e9 mesmo atrav\u00e9s dos vinis que vieram pelo mar em navios a\u00ed que vinham da Guiana e que vinham de outras ilhas do Caribe. E a\u00ed chegavam aqui, aportavam nos portos do Maranh\u00e3o e os marinheiros chegavam aqui, trocavam esses vinis por fazer um escambo, trocavam por alimento, enfim, por servi\u00e7o\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Autora de livro sobre o tema, Karla chama a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que o ritmo n\u00e3o foi \u201cimposto\u201d, a partir de uma a\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria fonogr\u00e1fica, mas sim, caiu no gosto da popula\u00e7\u00e3o ludovicence. Ela aponta para a possibilidade de identifica\u00e7\u00e3o pela proximidade com ritmos caribenhos, como o bolero, a salsa e o merengue, muito tocados em festas dos povoados negros e rurais do interior do estado, de onde parte da popula\u00e7\u00e3o que habita as periferias da capital S\u00e3o Lu\u00eds \u00e9 oriunda.<\/p>\n<p>\u201cNo come\u00e7o, o reggae era conhecido como m\u00fasica estrangeira lenta. As pessoas nem sabiam de onde vinha, que era da Jamaica, e n\u00e3o entendiam a letra tamb\u00e9m, porque as pessoas n\u00e3o entendiam a l\u00edngua inglesa. Mas ent\u00e3o a gente pode pensar, como \u00e9 que as pessoas passaram a gostar tanto de uma m\u00fasica que n\u00e3o se sabia a origem, n\u00e3o se sabia nada sobre ela? \u00c9 que o reggae conquistou primeiro uma juventude negra da periferia, prioritariamente. Ent\u00e3o eram jovens negros que tinham o reggae, adotaram o reggae como um elemento de identifica\u00e7\u00e3o cultural&#8221;, afirma.<\/p>\n<h2>Dan\u00e7a<\/h2>\n<p>E foi essa popula\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica, em sua maioria negra e pobre, que criou as particularidades que o reggae adquiriu no Maranh\u00e3o, a come\u00e7ar pela forma de dan\u00e7ar. No estado, o reggae \u00e9 majoritariamente dan\u00e7ado a dois, esse tipo de dan\u00e7a \u00e9 chamada de agarradinho e, possivelmente foi desenvolvido em refer\u00eancia a forma como os ritmos caribenhos eram dan\u00e7ados.<\/p>\n<p>\u201cAquela coisa assim: a festa vinha quente, tocava uma lambada, uma salsa, um merengue, a\u00ed vinha um reggae para dar uma esfriada. E \u00e9 por isso, inclusive, que as pessoas dan\u00e7am reggae agarrado, que \u00e9 o reggae agarradinho, porque elas j\u00e1 estavam dan\u00e7ando aos pares e elas permaneciam aos pares. Como ningu\u00e9m sabia o que era reggae, era uma m\u00fasica estrangeira lenta, uma m\u00fasica rom\u00e2ntica e as pessoas continuavam dan\u00e7ando em casais\u201d, detalha Karla.<\/p>\n<p>Outra semelhan\u00e7a apontada \u00e9 em raz\u00e3o do ritmo, da marca\u00e7\u00e3o se assemelhar ao de manifesta\u00e7\u00f5es culturais negras, muito fortes no estado, como o bumba-meu-boi e o tambor de crioula.<\/p>\n<p>\u201cA batida do reggae tem um contratempo, um baixo, um grave bastante acentuado e ela tem uma batida que lembra um pouco a batida do bumba-meu-boi, do tambor de crioula. Por isso que, de alguma forma, \u00e9 muito f\u00e1cil voc\u00ea encontrar a mesma pessoas, o mesmo cara, a mesma mulher que vai no bumba-meu-boi, no tambor de crioula. \u00c9\u00a0uma pessoas que \u00e9 f\u00e3 do reggae&#8221;, relata Karla.<\/p>\n<p>\u201cEles fizeram uma releitura desse reggae e passaram a sentir. Ent\u00e3o, h\u00e1 uma quest\u00e3o da batida das semelhan\u00e7as musicais do reggae com as nossas tradi\u00e7\u00f5es locais, que fazem com que o maranhense acabe se identificando. E, se a gente pensar que S\u00e3o Lu\u00eds e a Jamaica s\u00e3o duas ilhas predominantemente negras, que t\u00eam uma ancestralidade africana em comum,\u00a0muitos ritmos que l\u00e1 surgiram fazem sentido para a gente. Ent\u00e3o, o Reggae conquista primeiro a massa, vamos dizer, que s\u00e3o os regueiros. E muito tempo depois \u00e9 que ele vai se disseminando pela cidade toda, \u00e9 que a classe m\u00e9dia vai tamb\u00e9m abra\u00e7ando esse ritmo, mas no come\u00e7o o reggae se popularizou de forma muito forte, muito evidente nas periferias\u201d, afirma.<\/p>\n<h2>Pedras<\/h2>\n<p>Os regueiros do Maranh\u00e3o tamb\u00e9m foram respons\u00e1veis pelos termos aos quais se refere para definir as m\u00fasicas consideradas boas, bonitas, que agitam o sal\u00e3o, s\u00e3o as chamadas \u201cpedras de responsa\u201d ou simplesmente \u201cpedradas\u201d ou \u201cpedras\u201d.<\/p>\n<p>Outra especificidade \u00e9 a forma como s\u00e3o nomeadas as m\u00fasicas, chamadas de mel\u00f4s, que geralmente fazem\u00a0refer\u00eancia ao\u00a0que se imaginava corresponder ao som de determinado trecho do reggae ou mesmo batizando com nomes de pessoas.<\/p>\n<p>A hip\u00f3tese mais aceita \u00e9 que essa forma de batizar as m\u00fasicas foi uma estrat\u00e9gias que os DJ\u2019s criaram, com objetivo de esconder a verdadeira identidade da m\u00fasica para evitar o acesso da concorr\u00eancia.<\/p>\n<p>Esses mel\u00f4s s\u00e3o tocados pelas radiolas, equipamento em que s\u00e3o acopladas caixas de som, formando um \u201cpared\u00e3o\u201d, similar as sound systems jamaicanas. Um dos mais famosos, o Mel\u00f4 do Caranguejo foi batizado em refer\u00eancia ao que se acreditava significar o refr\u00e3o da m\u00fasica White Witch, da cantora norte-americana Andread True, que diz \u201cWhite witch\u2019s gonna get ya?\u201d. Outro caso exemplar \u00e9 o da m\u00fasica Think Twice, cantada pela canadense Donna Mari e que em S\u00e3o Lu\u00eds, virou o M\u00ealo de Poliana ou de \u201cMy Mind\u201d, gravada em 1976 por Hugh Mundell, rebatizada como Mel\u00f4 de Val\u00e9ria e antes conhecida como Mel\u00f4 dos Astros.<\/p>\n<h2>Preconceito, discrimina\u00e7\u00e3o e persegui\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Apesar de toda a criatividade, a\u00a0rela\u00e7\u00e3o do ritmo com a cidade n\u00e3o foi tranquila. No come\u00e7o, o reggae era associado pelos jornais e m\u00eddias locais \u00e0 viol\u00eancia e ao consumo de drogas.<\/p>\n<p>&#8220;Quando voc\u00ea encontrava o reggae no jornal, era na p\u00e1gina policial. Normalmente era facada no reggae, era opera\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia, a pol\u00edcia invadindo, as pessoas sendo presas, As pessoas passando por baixo da policial. O reggae era o local onde aconteciam os crimes.\u00a0E tudo isso porque o regueiro era marginalizado, tudo isso porque o ritmo era marginalizado, era acusado de ser uma cultura importada, uma acultura\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, durante muitos anos, o reggae foi muito marginalizado\u201d, explica Karla.<\/p>\n<p>Outro ponto levantado \u00e9 o preconceito devido ao fato do ritmo ter vindo de baixo para cima. As classes altas, identificadas com outros ep\u00edtetos da cidade &#8211; \u201cAtenas Brasileira\u201d e \u201ccidade fundada por franceses\u201d \u2013 tamb\u00e9m discriminava o ritmo e seus amantes.<\/p>\n<p>\u201cDurante muito tempo, o reggae foi estigmatizado, foi marginalizado justamente pela sua origem, al\u00e9m da origem que \u00e9 jamaicana, negra, \u00e9 uma ilha pobre do Caribe, a origem tamb\u00e9m das camadas sociais de S\u00e3o Lu\u00eds, que eram camadas menos privilegiadas, foram essas camadas que abra\u00e7aram esse ritmo. Ent\u00e3o, a elite aqui de S\u00e3o Lu\u00eds n\u00e3o viu com bons olhos\u201d, analisa Karla. \u201cA gente tem embates fenomenais na d\u00e9cada de 1990 nos jornais. A gente tem artigos de jornais publicados por membros da Academia Maranhense de Letras, onde h\u00e1 toda uma discuss\u00e3o sobre esse t\u00edtulo de Jamaica brasileira, achando que \u00e9 um absurdo: Como \u00e9 que a gente era Atenas brasileira por conta dos grandes poetas que a gente tinha nos s\u00e9culos passados e, agora, a gente vira Jamaica negra, pobre, que n\u00e3o tem cultura, que n\u00e3o tem refer\u00eancia\u201d, relata.<\/p>\n<p>Esse cen\u00e1rio come\u00e7a a mudar, em meados dos anos de 1990, quando o som foi aos poucos conquistando espa\u00e7o, ocupando clubes, promovendo eventos, shows, novos programas de r\u00e1dio especializados em reggae foram surgindo, programas televisivos. Isso acabou atraindo aliados, em especial a classe m\u00e9dia que passou a frequentar esses clubes.<\/p>\n<p>\u201c\u00c0 medida que a classe m\u00e9dia foi abra\u00e7ando o ritmo, \u00e0 medida que a pr\u00f3pria m\u00eddia foi mudando esse recorte, ao longo da d\u00e9cada de 90 para os anos 2000, televis\u00f5es, jornais, sites come\u00e7aram a dar muito mais visibilidade \u00e0 Jamaica brasileira, que identifica o Maranhense, que \u00e9 orgulho do Maranhense, e a\u00ed v\u00e1rios s\u00edmbolos, voc\u00ea tem as v\u00e1rios \u00edcones, as radiolas, o dan\u00e7ar agarradinho, a figura do regueiro, as cores do reggae, o Bob Marley, voc\u00ea tem v\u00e1rias coisas que identificam a cidade e isso passa a ser muito mais explorado\u201d, disse Karla. \u201cE a\u00ed vai diminuindo um pouco o preconceito. Ele acabou? N\u00e3o. Ele continua. At\u00e9 porque o racismo n\u00e3o acabou, a elite ainda tem preconceito com as classes sociais menos favorecidas, Ent\u00e3o a gente v\u00ea, sim, ainda muito preconceito com o reggae, mas isso j\u00e1 foi diminuindo bastante\u201d, conclui.<\/p>\n<h2>Mudan\u00e7a de perspectiva<\/h2>\n<p>E quem faz parte dessa hist\u00f3ria ainda est\u00e1 lutando para acabar com a estigmatiza\u00e7\u00e3o e o preconceito. Um bom exemplo \u00e9 o do Grupo de Dan\u00e7a Afro Malungos (GDAM), fundado em 1986 e que desenvolve trabalhos sociais para crian\u00e7as e jovens atrav\u00e9s da arte, cultura e cidadania. Um desses projetos leva o ritmo para crian\u00e7as, adolescentes e jovens das escolas p\u00fablicas das periferias da capital.<\/p>\n<p>A iniciativa come\u00e7ou em 2006, com a cria\u00e7\u00e3o do bloco do reggae, que sai durante o per\u00edodo do Carnaval. O coordenador do GDAM, Cl\u00e1udio Ad\u00e3o explicou \u00e0 <strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong> que a iniciativa \u00e9 uma forma de trazer o debate sobre quest\u00f5es como racismo, preconceito, discrimina\u00e7\u00e3o, de uma forma mais leve.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><!-- scald=352045:cheio_8colunas --><\/p>\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block w-100\">             <img data-echo=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/J_P3nqf__4J070GRBpxWhEzkqM0=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/adao_2.jpg?itok=wBROR1AD\" alt=\"Reggae Maranh\u00e3o. Foto: @caosinfinito\" title=\"Foto: @caosinfinito\" class=\"flex-fill img-cover\">         <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/J_P3nqf__4J070GRBpxWhEzkqM0=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/adao_2.jpg?itok=wBROR1AD\" alt=\"Reggae Maranh\u00e3o. Foto: @caosinfinito\" title=\"Foto: @caosinfinito\" class=\"flex-fill img-cover\">     <\/div>\n<p>  <!-- END scald=352045 --><\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<h6 class=\"meta\"><!--copyright=352045-->Cl\u00e1udio Ad\u00e3o &#8211; coordenador do GDAM &#8211;\u00a0<strong>Foto: @caosinfinito<\/strong><!--END copyright=352045--><\/h6>\n<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>\u201cA gente trabalha durante o ano todos nas escolas municipais e estaduais da periferia de S\u00e3o Lu\u00eds atrav\u00e9s de palestras, rodas de conversas, oficinas de dan\u00e7a e m\u00fasica, isso tudo direcionado aos amantes da m\u00fasica reggae. A sele\u00e7\u00e3o \u00e9 feita de forma simples, a gente divulga nas r\u00e1dios comunit\u00e1rias, nas redes sociais do grupo, nas r\u00e1dios com programas de reggae. As pessoas interessadas, se forem menores\u00a0de idade, o pai, m\u00e3e ou respons\u00e1vel tem que fazer a inscri\u00e7\u00e3o\u201d, explica. &#8220;E a gente conseguiu, atrav\u00e9s da mensagem do reggae, falar de racismo de uma forma muito mais f\u00e1cil, de preconceito, homofobia, educa\u00e7\u00e3o, denunciar a forma como a pol\u00edcia nos trata. Para n\u00f3s \u00e9 uma ferramenta muito boa\u201d, pontua.<\/p>\n<p>Ad\u00e3o real\u00e7a a liga\u00e7\u00e3o que a popula\u00e7\u00e3o negra de S\u00e3o Lu\u00eds tem com a cultura popular e o reggae. \u201cA gente anda junto, porque o reggae \u00e9 primo irm\u00e3o de uma express\u00e3o muito forte no Maranh\u00e3o que \u00e9 o bumba-meu-boi. Na morte do bumba-meu-boi tem barrac\u00f5es do reggae ao lado, do tambor de crioula e tamb\u00e9m do hip hop e do samba\u201d, conta.<\/p>\n<h2>Re(x)ist\u00eancia<\/h2>\n<p>Neste s\u00e1bado, o GDAM vai participar do <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2023-09\/festivais-dia-da-amazonia-alertam-para-defesa-dos-biomas-brasileiros\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Festival Re(x)istencia Fest lll<\/a>, no Parque do Rangedor, em S\u00e3o Lu\u00eds. Com o tema, Amaz\u00f4nia \u00e9 Agora, o festival vai\u00a0chamar aten\u00e7\u00e3o para a necessidade de preserva\u00e7\u00e3o da floresta e de celebrar os povos, a cultura da regi\u00e3o. No evento, o GDAM vai realizar o \u201cChama pra Dan\u00e7ar!\u201d, uma grande aula de reggae ao ar livre.<\/p>\n<p>\u00c0 <strong>Ag\u00eancia Brasil,<\/strong> Ad\u00e3o disse que, mesmo com a discrimina\u00e7\u00e3o e o preconceito, o reggae foi capaz de criar uma imensa cadeia produtiva, que vai\u00a0das radiolas e\u00a0casas de show aos\u00a0dan\u00e7arinos e\u00a0professores de dan\u00e7a que conseguem gerar renda, tendo o ritmo como carro-chefe.<\/p>\n<p>\u201cInfelizmente, durante praticamente 40 anos a gente foi v\u00edtima da sociedade branca, racista, vistos como marginais. A massa regueira sofreu muito. Isso diminuiu muito, mas atrav\u00e9s de estudos a gente foi mostrando que o reggae \u00e9 o estilo de vida de uma cidade em que 73% da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 negra e que voc\u00ea tem o direito de escolher a m\u00fasica que voc\u00ea quer ouvir no final de semana\u201d, conta. \u201cA gente tem direito de consumir o reggae como uma forma de lazer, de trabalho e tamb\u00e9m contribui\u00e7\u00e3o da cadeia produtiva no Maranh\u00e3o, atrav\u00e9s dessa ferramenta que \u00e9 o reggae, inclusive com esse vi\u00e9s da cultura, do turismo e da economia solid\u00e1ria\u201d defende.<\/p>\n<p>Essa mudan\u00e7a na forma de tratar o ritmo levou \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do Museu do Reggae do Maranh\u00e3o. Fundado em 2018, o espa\u00e7o conta com diversos ambientes, onde homenageia grandes nomes do reggae maranhense que j\u00e1 morreram, tradicionais clubes de reggae de S\u00e3o Lu\u00eds, como o Clube Pop Som, Clube Toque de Amor, Clube Uni\u00e3o do BF e Clube Espa\u00e7o Aberto, algumas delas citadas na m\u00fasica Regueiros Guerreiros\u00a0da banda maranhense Tribo de Jah.\u00a0<\/p>\n<p>O museu tamb\u00e9m possui fotografias, v\u00eddeos e discos raros, al\u00e9m de muitas informa\u00e7\u00f5es e promove atividades como aulas de dan\u00e7a, rodas de conversa, proje\u00e7\u00e3o de filmes. Tem ainda a Quinta do Reggae, atividade que ocorre de julho a dezembro e re\u00fane toda a cadeia produtiva em torno do Movimento (cantores, bandas, DJs, moda reggae, etc).<\/p>\n<p>Ad\u00e3o tamb\u00e9m conta que ap\u00f3s o\u00a0reggae ter atravessado a ponte que corta a cidade e separa os bairros mais ricos dos mais pobres da capital, o momento \u00e9 de pensar na promo\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablica voltadas para essa popula\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica,<\/p>\n<p>\u201cA gente come\u00e7ou a ganhar alguns\u00a0espa\u00e7os pol\u00edticos, nos partidos, associa\u00e7\u00f5es, clubes e a m\u00eddia teve que dar espa\u00e7o para n\u00f3s, atrav\u00e9s dos programas de r\u00e1dio e isso facilitou, mas ainda falta muito. \u00c9 uma conquista, mas tem que estar atento. Estamos discutindo pol\u00edticas p\u00fablicas para o povo, independente de ser do reggae ou n\u00e3o, mas o povo preto da cidade de S\u00e3o Lu\u00eds do Maranh\u00e3o\u201d, disse.<\/p>\n<p id=\"infocoweb_fonte\" class=\"infocoweb_fonte\">Fonte: <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2023-10\/reggae-ritmo-jamaicano-sofreu-preconceito-ate-ter-reconhecimento#5bfcb321-bd11-4020-afda-5d1f4988b854\" rel=\"noopener\">EBC GERAL<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cidade de S\u00e3o Lu\u00eds tem\u00a0motivos\u00a0para comemorar: aos 411 anos, a capital maranhense foi agraciada com o t\u00edtulo de capital nacional do reggae, concedida por lei.\u00a0Mas o caminho que o ritmo e seus admiradores, a chamada massa regueira, percorreu ao longo dos mais de 40 anos em que aportou na Jamaica brasileira, um dos ep\u00edtetos 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