{"id":60386,"date":"2023-11-12T09:53:41","date_gmt":"2023-11-12T12:53:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.fatosefotosnews.com.br\/hip-hop-e-a-maior-cultura-urbana-da-historia-afirma-pesquisador\/"},"modified":"2023-11-12T09:53:41","modified_gmt":"2023-11-12T12:53:41","slug":"hip-hop-e-a-maior-cultura-urbana-da-historia-afirma-pesquisador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.fatosefotosnews.com.br\/?p=60386","title":{"rendered":"Hip hop \u00e9 a maior cultura urbana da hist\u00f3ria, afirma pesquisador"},"content":{"rendered":"<p>\u201cA maior cultura urbana da hist\u00f3ria da humanidade.\u201d\u00a0\u00c9\u00a0assim que o DJ Eug\u00eanio Lima define o <em>hip hop<\/em>, que em 2023 completa 50 anos de exist\u00eancia e 40 anos de presen\u00e7a no Brasil. Pesquisador e um dos fundadores do N\u00facleo Bartolomeu de Depoimentos, grupo que pensa o teatro a partir da est\u00e9tica do <em>hip hop<\/em>, Lima v\u00ea nessa cultura elementos tradicionais africanos que dialogam com as popula\u00e7\u00f5es negras em di\u00e1spora por todo o mundo.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1565878&#038;o=node\" style=\"width:1px;height:1px\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1565878&#038;o=node\" style=\"width:1px;height:1px\"><\/p>\n<p>Aqui, ele pega emprestadas as palavras de Afrika Bambaataa, DJ e produtor pioneiro do g\u00eanero para explicar essa rela\u00e7\u00e3o. \u201cUma coisa que o Bambaataa fala \u00e9 que\u00a0o <em>hip hop<\/em> nada mais \u00e9 do que [a t\u00e9cnica] dos gri\u00f4s [contadores tradicionais de hist\u00f3rias] da \u00c1frica [levada] para o sul do Bronx\u00a0[bairro de Nova York, nos Estados Unidos]. E aqui, para mim, o sul do Bronx \u00e9 s\u00f3 uma met\u00e1fora, porque \u00e9 o sul do Bronx pode ser o Cap\u00e3o Redondo [zona sul paulistana], \u00e9 o Alto Jos\u00e9 do Pinho [no\u00a0Recife], \u00e9 a periferia de S\u00e3o Lu\u00eds, a periferia de Manaus\u201d, relaciona.<\/p>\n<p>A forma tradicional de transmiss\u00e3o de saberes e hist\u00f3rias se transforma, segundo Lima, para abarcar as constru\u00e7\u00f5es que est\u00e3o fora das formalidades acad\u00eamicas.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cEssa tecnologia dos gri\u00f4s do oeste africano colocada, fundamentada, a partir dos toca-discos, a partir da cultura de rua, a partir do conhecimento que n\u00e3o \u00e9 o conhecimento da sabedoria formal, trancafiada com seus par\u00e2metros, constru\u00edda profundamente a partir da oralidade\u201d, acrescenta.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>O toca-discos, enfatiza o pesquisador, \u00e9 o pilar fundamental da cultura <em>hip hop<\/em>, que \u00e9 constru\u00edda a partir de quatro elementos: o DJ, o MC, o grafite e o <em>break<\/em> \u2013 batida, canto, pintura e dan\u00e7a. \u201cA partir da\u00ed, se cria todo um grande vocabul\u00e1rio que a gente chama de conhecimento de rua. A escola da rua. O conhecimento, a moda a pr\u00f3pria l\u00f3gica da rua\u201d, enumera.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-grande_6colunas type-image atom-align-left\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><!-- scald=358165:grande_6colunas {\"additionalClasses\":\"\"} --><\/p>\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block w-100\">             <img data-echo=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/xeR_WV65DKj7F3XktSdYOT2Llr4=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/dj_hiphop_04_0.jpg?itok=Y0RkNaX1\" alt=\"S\u00e3o Paulo SP 09\/11\/2023, DJ Eugenio de Lima - 50 Anos Hip-Hop.   Foto Paulo Pinto\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"Paulo Pinto\/Ag\u00eancia Brasil\" class=\"flex-fill img-cover\">         <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/xeR_WV65DKj7F3XktSdYOT2Llr4=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/dj_hiphop_04_0.jpg?itok=Y0RkNaX1\" alt=\"S\u00e3o Paulo SP 09\/11\/2023, DJ Eugenio de Lima - 50 Anos Hip-Hop.   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Agora, essa rua \u00e9 chamada de Boulevard do Hip Hop. \u00c9 uma rua sem sa\u00edda, no sul do Bronx, dentro de um conjunto habitacional, em Nova York. Ent\u00e3o, no dia 12 de agosto de 2023, teve a<em>\u00a0block party<\/em> nesse lugar, que \u00e9 o lugar fundante, comemorando 50 anos da cultura<em> hip hop<\/em>\u201d, contou ao receber a reportagem da <strong>TV Brasil<\/strong> para grava\u00e7\u00e3o do programa <em>Caminhos da Reportagem<\/em>. O epis\u00f3dio vai ao ar neste domingo (12), \u00e0s 22h, na emissora\u00a0p\u00fablica.<\/p>\n<p>Nessa oportunidade, o DJ p\u00f4de mostrar parte da cole\u00e7\u00e3o de discos, que inclui diversas pe\u00e7as importantes para essa trajet\u00f3ria de cinco d\u00e9cadas do <em>hip hop<\/em>. \u201cEsse aqui\u201d, diz colocando o disco para rodar, \u201c\u00e9 o primeiro vinil, o primeiro fonograma da hist\u00f3ria do <em>hip hop<\/em>. \u00c9 o <em>Rapper&#8217;s Delight<\/em> do The Sugarhill Gang. Ele \u00e9 de setembro de 1978, lan\u00e7ado pela Sugarhill Records, apesar de a gente considerar que o <em>hip hop<\/em> nasce em 1973\u201d, conta.<\/p>\n<p>Confira abaixo os principais trechos da entrevista com Eug\u00eanio Lima:<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>\u00a0Como funciona a m\u00e1gica do DJ, essa rela\u00e7\u00e3o entre a base e a voz?<br \/> <strong>Eug\u00eanio Lima:<\/strong>\u00a0Eu vou explicar do princ\u00edpio. Em ingl\u00eas \u00e9 <em>two turntables and a microphone<\/em> &#8211; quer dizer, dois toca-discos e um microfone. Isso \u00e9 a base do <em>hip hop<\/em>: dois toca-discos em um microfone. Por que tem um MC? Segundo o Kool Herc, \u00e9 porque o DJ n\u00e3o tem tr\u00eas bra\u00e7os. Cad\u00ea o terceiro bra\u00e7o para segurar o microfone? Ent\u00e3o, ele convida um MC chamado Coke La Rock, ele est\u00e1 com quase 80 anos hoje, e um outro MC chamado Mark Walters, esse j\u00e1 \u00e9 falecido. Aqui voc\u00ea tem os dois toca-discos e \u00a0voc\u00ea tem um <em>mixer<\/em>, onde voc\u00ea mixa volume. Isso aqui s\u00e3o os <em>faders<\/em> [controle de volume].<\/p>\n<p>A partir\u00a0desse vocabul\u00e1rio, s\u00e3o\u00a0criados\u00a0dois dos elementos mais importantes da cultura <em>hip hop<\/em> &#8211; o DJ e o MC. Mas a cultura<em> hip hop<\/em> \u00e9 feita de v\u00e1rios outros conhecimentos. Os outros elementos fundantes seriam: o grafite, que eles chamam de <em>graffiti writters<\/em>, ou seja, escritores de grafite. Os dan\u00e7arinos \u2013\u00a0<em>b-boys e b-girls<\/em> \u2013\u00a0porque eles dan\u00e7am nos <em>breaks<\/em> [intervalos] da m\u00fasica. Seria <em>breakboy<\/em>, \u00a0porque se dan\u00e7ava nos intervalos instrumentais entre cada m\u00fasica.<\/p>\n<p><em>B-boys e b-girls<\/em>, DJ, MC e grafite \u2013\u00a0 a partir da\u00ed se cria todo um grande vocabul\u00e1rio de conhecimentos, que a gente chama de conhecimento de rua. Por isso que \u00e9 a escola da rua. Tem o conhecimento da moda da rua, da pr\u00f3pria l\u00f3gica da rua. Rua n\u00e3o s\u00f3 no sentido de que est\u00e1 fora \u00e9 do campo, digamos assim, formal do conhecimento. Mas \u00e9 rua porque tamb\u00e9m as outras formas de conhecimento acabam sendo permeadas por esse conhecimento fundante.\u00a0E para um\u00a0DJ tudo tem a ver com discos.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>\u00a0A gente pode dizer, ent\u00e3o, que o <em>hip hop<\/em> come\u00e7a na mesa do DJ?<br \/> <strong>Lima: <\/strong>A gente pode dizer, n\u00e3o, ele come\u00e7a na mesa do DJ. O pilar fundante da cultura \u00e9 a <em>block party<\/em> de 1973, onde o Kool Herc monta isso e convida as outras pessoas.\u00a0Ele [o lugar] existe ainda e est\u00e1 sendo preparado para ser o templo do <em>hip hop<\/em>. Agora, essa rua \u00e9 chamada de Boulevard do Hip Hop. \u00c9 uma rua sem sa\u00edda, no sul do Bronx, dentro de um conjunto habitacional, em Nova York. Ent\u00e3o, no dia 12 de agosto de 2023, teve a<em> block party<\/em> nesse lugar, que \u00e9 o lugar fundante, comemorando 50 anos da cultura <em>hip hop<\/em>.<\/p>\n<p>Quem convidou tudo isso foi o [MC e produtor musical] KRS-One que \u00e9 um cara da [produtora] Boogie Down Productions. \u00a0Essa \u00e9 um das m\u00fasicas mais famosas dele, <em>Step Into the World<\/em> [mostra um disco].\u00a0[Pega outro disco] Uma outra pessoa que tamb\u00e9m \u00e9 muito fundamental\u00a0\u00e9 esse cara aqui, Afrika Bambaataa. Esse aqui \u00e9 um encontro dele com James Brown. \u00c9 creditado ao Bambaataa a ideia a nomina\u00e7\u00e3o [<em>hip hop<\/em>]. \u00c9 o Bambaataa que cria a ideia de que isso que se faz com esses quatro elementos \u00e9 <em>hip hop<\/em>, e isso n\u00e3o \u00e9 um movimento, \u00e9 uma cultura.<\/p>\n<p>Em 2016, eles entregaram um documento na ONU [Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas], que \u00e9 a declara\u00e7\u00e3o de paz da cultura <em>hip hop<\/em>. \u00c9\u00a0uma s\u00e9rie de mandamentos, como se fossem os dez mandamentos, mas tem mais que dez, tem uns 24 mandamentos, onde eles v\u00e3o dizendo quais s\u00e3o os princ\u00edpios fundamentais do que seria a cultura<em> hip hop<\/em>. \u00c9 assinado pelo KRS-One, pelo Bambaataa e por mais de 300 ativistas do <em>hip hop<\/em> no mundo inteiro.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>\u00a0Onde o Grandmaster Flash entra na hist\u00f3ria?<br \/> <strong>Lima:<\/strong>\u00a0O Grandmaster Flash \u00e9 tipo o mago. Muita gente credita a inven\u00e7\u00e3o do <em>crossfader<\/em> a ele [t\u00e9cnica de reduzir o volume de uma m\u00fasica e fazer a entrada de outra gradualmente]. \u00c9 o cara que faz aquela hist\u00f3ria de marcar os discos, de transformar o<em> merry go-round<\/em> [t\u00e9cnica que mant\u00e9m a parte instrumental da m\u00fasica tocando por mais tempo], que era a t\u00e9cnica do Kool Herc, numa coisa mais pra frente, que \u00e9 o <em>back to back<\/em>, que \u00e9 ir e voltar com os toca-discos, ir e voltar com os toca-discos numa estrutura intermin\u00e1vel sem tirar o p\u00e9 da dan\u00e7a.<\/p>\n<p>O <em>back to back<\/em> cria o vocabul\u00e1rio do que vai ser a ideia de que um MC e um DJ v\u00e3o rimar juntos. E para completar tem aqui um cl\u00e1ssico que \u00e9 uma p\u00e9rola do que seria o Grandmaster Flash and the Furious Five, que chama <em>The Message<\/em>. E o <em>The Message<\/em> \u00e9, vamos dizer assim, uma das pedras fundamentais da hist\u00f3ria. [Coloca o disco para rodar]. \u00c9 o Melly Mel cantando. Isso aqui \u00e9 Grandmaster Flash and the Furious Five. Cowboy, Kid Creole, Melle Mel, Scorpio. Esse aqui \u00e9 1982. A gente credita muito essa ideia de que o <em>hip hop<\/em>, o <em>rap<\/em>, \u00e9 a cr\u00f4nica da periferia. Essa \u00e9 a primeira cr\u00f4nica. Essa \u00e9 a primeira cr\u00f4nica.<\/p>\n<p>O Melle Mel vai descrever o que est\u00e1 acontecendo na quebrada. O primeiro verso \u00e9 fant\u00e1stico:\u00a0[Toca um trecho da m\u00fasica] \u201cBroken glass everywhere\/People pissin&#8217; on the stairs, you know they just don&#8217;t care\/ I can&#8217;t take the smell, can&#8217;t take the noise\u201d &#8211; \u201cVidro quebrado por toda parte. Pessoas mijando na escada, voc\u00ea sabe que eles simplesmente n\u00e3o ligam. Eu n\u00e3o consigo suportar o cheiro, n\u00e3o aguento o barulho.\u201d\u00a0<\/p>\n<p>Al\u00e9m do vocabul\u00e1rio, o Grandmaster Flash tem outra parada que \u00e9 muito treta: ele \u00e9 a primeira pessoa a gravar um disco dentro de um disco. Quando ele cria o <em>Adventures on the Wheels of Steel<\/em>, ele vai gravando a m\u00fasica com v\u00e1rias t\u00e9cnicas de mixagem dos toca-discos. Vai criando um vocabul\u00e1rio. E \u00e9 a primeira vez que vinis s\u00e3o usados para se criar um fonograma que tamb\u00e9m era em vinil. \u00c9 metalinguagem da metalinguagem. A gente chama isso de <em>mashup<\/em> hoje, mas n\u00e3o existia nem o nome pra dizer o que ele estava fazendo. O Grandmaster Flash \u00e9 o grande arquiteto mesmo da estrutura do que viriam a ser as t\u00e9cnicas de discotecagem e a rela\u00e7\u00e3o disso com a m\u00fasica.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:\u00a0<\/strong>Como \u00e9 que foi estar l\u00e1 com o Kool Herc? Como \u00e9 que foi essa festa que celebrou os 50 anos do <em>hip hop<\/em> no lugar de origem?<br \/> <strong>Lima:<\/strong>\u00a0Foi muito emocionante porque s\u00e3o 50 anos, n\u00e3o s\u00e3o 50 dias. Eu vou pegar uma frase, vou samplear uma frase do Prince Paul, produtor do The Last Soul, no Harlem. Ele estava discotecando os seus maiores cl\u00e1ssicos, produtor do The Last Soul, do Tribe Called Quest, ele falava assim: &#8220;A gente precisa comemorar esse dia como se n\u00e3o houvesse amanh\u00e3, porque muito provavelmente nenhum de n\u00f3s vai estar vivo pra comemorar os 100 anos do<em> hip hop<\/em>&#8220;. Essa \u00e9 a dimens\u00e3o da cultura.<\/p>\n<p>As comemora\u00e7\u00f5es foram o m\u00eas de agosto inteiro, no dia 11 teve uma <em>block party<\/em> no Might Point Park, onde vai se criar um museu dedicado \u00e0 cultura <em>hip hop<\/em>. \u00c9 o Universal Museum of Hip Hop. \u00c9 um parque \u00e0s margens do East River, que \u00e9 o rio que separa o Bronx do Harlem [bairros de popula\u00e7\u00e3o negra de Nova York]. \u00c9 uma ponte, mas parece um mundo. E depois teve um<em> show<\/em> no Yankee Stadium, o est\u00e1dio do time de beisebol de Nova York, com todas as gera\u00e7\u00f5es. Era uma programa\u00e7\u00e3o extensa, come\u00e7ou \u00e0s 6h da tarde e terminou \u00e0s 2h da manh\u00e3. E ia desde o Sugar Hill Gang, passando pelo Grandmaster Flash and the Furious Five, a homenagem ao Kool Herc e \u00e0 irm\u00e3 dele, a Clive Campbell, coroados pela pr\u00f3pria m\u00e3e.<\/p>\n<p>A m\u00e3e do Kool Herc est\u00e1 com 86 anos e ela coroou o filho e a filha. At\u00e9 terminar com o <em>show<\/em> do Run-MC passando pelo Nas, pelo Kid Capri, pela Lauren Hill, pelo Snoop Dog, pelo Ice Cube, foi assim, pelo T.I. at\u00e9 o <em>trap<\/em> [subg\u00eanero do rap], o Lil Wayne, assim, at\u00e9 das novas gera\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m conversando, Lil&#8217;Leo King, todo mundo fazendo isso no dia 11, que \u00e9 o dia mesmo que se comemora, porque foi 11 de agosto de 1973.<\/p>\n<p>No dia 12, teve a <em>block party<\/em> no sul do Bronx e no, dia 13, a <em>block party\u00a0<\/em>no Harlem. Eu n\u00e3o vi a <em>block party<\/em> do dia 5, que foi no Brooklyn, que \u00e9 onde foi comandado pelo Grandmaster Flash. Essa eu perdi. Foi incr\u00edvel.<\/p>\n<p>Depois a gente voltou pra S\u00e3o Paulo e eu tive a honra de poder dirigir esse espet\u00e1culo que \u00e9 o <em>Hip Hop aos 50 anos<\/em> e a gente tentou fazer uma homenagem \u00e0s diversas gera\u00e7\u00f5es do <em>hip hop<\/em>: teve a Sharylaine, Tha\u00edde, o Dexter, a MC Sofia, a Backspin, o Coletivo Amen, teve a Brisa Flow, teve a Linn Quebrada, teve o Rincon Sapi\u00eancia, o Nelson Triunfo. A ideia \u00e9 de a gente homenagear a partir dessa hist\u00f3ria, a dan\u00e7a, a m\u00fasica, a produ\u00e7\u00e3o iconogr\u00e1fica atrav\u00e9s dos grafites, foi uma pesquisa bem intensa e eu tive o prazer de dirigir isso. Foi um documento bacana. A gente fez isso no dia 24 de agosto de 2023 no Sesc Pinheiros lotado, mais de 1,1 mil\u00a0pessoas.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>\u00a0Nessa pesquisa, qual voc\u00ea sentiu que \u00e9 a trajet\u00f3ria do <em>hip hop<\/em> no Brasil?<br \/> <strong>Lima:<\/strong>\u00a0No ano que vem, faz 40 anos do <em>hip hop<\/em> no Brasil, que \u00e9 o marco zero l\u00e1 da cultura <em>hip hop<\/em> a que o Nelson [Triunfo, pioneiro do break] se refere. Nestes 40 anos, eu acho que poucas vezes na hist\u00f3ria do Brasil uma constru\u00e7\u00e3o cultural afro-diasp\u00f3rica, preta, ind\u00edgena, perif\u00e9rica, transnacional, transcultural\u00a0fez o que o <em>hip hop<\/em> fez no Brasil nos \u00faltimos 40 anos.<\/p>\n<p>Tem uma coisa tamb\u00e9m que eu sempre gosto de colocar, que \u00e9 o Chico Science e Na\u00e7\u00e3o Zumbi, quando ele fala: &#8220;\u00c9 <em>hip hop<\/em> na minha embolada&#8221;. \u00c9 um panorama de um processo que \u00e9 muito maior do que a arte, mas, sim, um processo de sobreviv\u00eancia. &#8220;Acharam que a gente estava morto&#8221;, como diz o Dexter no <em>Oitavo Anjo<\/em>, &#8220;achavam que a gente estava derrotado, quem achou isso estava errado&#8221;. Que a gente vivia sob ru\u00ednas e, portanto, ser\u00edamos arruinados, mas a gente transformou as ru\u00ednas na produ\u00e7\u00e3o po\u00e9tica mais potente, na cultura urbana, a maior cultura urbana da hist\u00f3ria da humanidade. O <em>hip hop<\/em> brasileiro est\u00e1 dentro desse panorama e \u00e9 muito legal porque, como todo o <em>hip hop<\/em> no mundo, \u00e9 diasp\u00f3rico, \u00e9 transnacional, se conecta com outras di\u00e1sporas no mundo todo.<\/p>\n<p>O territ\u00f3rio que a gente fala, seja a l\u00edngua, seja o pr\u00f3prio territ\u00f3rio brasileiro, ele tem influ\u00eancias de outras tantas culturas, outros tantos <em>beats<\/em>, outras tantas sabedorias. Porque uma coisa que o Bambaataa fala \u00e9 que o <em>hip hop<\/em> nada mais \u00e9 do que dos gri\u00f4s da \u00c1frica para o sul do Bronx. E pra mim o sul do Bronx \u00e9 s\u00f3 uma met\u00e1fora, porque o sul do Bronx pode ser o Cap\u00e3o Redondo, o sul do Bronx \u00e9 o Alto Jos\u00e9 do Pinho, o sul do Bronx \u00e9 a periferia de S\u00e3o Lu\u00eds, o sul do Bronx \u00e9 a periferia de Manaus, \u00e9 a periferia de qualquer outra grande cidade do mundo.<\/p>\n<p>Essa tecnologia dos gri\u00f4s do oeste africano colocada, fundamentada, a partir dos toca-discos, a partir da cultura de rua, a partir do conhecimento que n\u00e3o \u00e9 o conhecimento da sabedoria formal trancafiada com seus par\u00e2metros tudo, al\u00e9m do que \u00e9 um conhecimento constru\u00eddo profundamente a partir da oralidade. Nesse momento tamb\u00e9m em Nova York est\u00e1 tendo uma exposi\u00e7\u00e3o na biblioteca do Brooklin sobre a trajet\u00f3ria do Jay-Z. E tem uma parte da exposi\u00e7\u00e3o que \u00e9 &#8220;Everything without a pen&#8221;, quer dizer, tudo isso sem uma caneta, porque o Jay-Z nunca escreveu nenhuma letra, todas as letras dele s\u00e3o na cabe\u00e7a e ele grava.\u00a0Isso \u00e9 o testemunho da oralidade. Ele nunca escreveu uma letra na vida. Eu acho que esse \u00e9 o testemunho que tamb\u00e9m a cultura <em>hip hop<\/em> traz. Como as sabedorias ancestrais se conectam com as tecnologias, com a possibilidade de sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>Aqui a gente conseguiu construir a partir dos toca-discos e tudo, mas, por exemplo, Cuba n\u00e3o teve toca-disco, mas teve <em>hip hop<\/em>.\u00a0Eu estava assistindo ontem uma menina de 16 anos de idade que chama J Noah, da Rep\u00fablica Dominicana, rimando, e eu falei, meu Deus do c\u00e9u, o que que \u00e9 isso? Uma menina tem 16 anos de idade e o <em>flow <\/em>dela \u00e9 monstro, e a letra \u00e9 monstra. Como ela consegue acumular tanta sabedoria com 16 anos de idade? E ela falou: &#8220;\u00c9 a minha experi\u00eancia, o meu bairro, as pessoas que eu vi, as coisas que eu vi e nem sempre os testemunhos s\u00e3o agrad\u00e1veis&#8221;. Ou seja, \u00e9 a possibilidade de conseguir transformar a dor em poesia, e n\u00e3o s\u00f3 isso, mas de transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>\u00a0Agora, uma coisa que eu acho que voc\u00ea provavelmente \u00e9 a melhor pessoa para me explicar: Como \u00e9 que foi isso de unir o<em> hip hop<\/em> com o teatro, que foi o N\u00facleo Bartolomeu de Depoimentos?<br \/> <strong>Lima:<\/strong>\u00a0Isso foi uma das b\u00ean\u00e7\u00e3os na minha vida, na nossa vida. Essa aqui \u00e9 a palavra como territ\u00f3rio, a nossa antologia po\u00e9tica, que \u00e9 transformar a nossa palavra em livro, s\u00e3o os 23 anos de exist\u00eancia do N\u00facleo Bartolomeu de Depoimentos, e a gente chamou isso de casamento est\u00e9tico: do teatro \u00e9pico com a cultura<em> hip hop <\/em>e a partir de um princ\u00edpio muito b\u00e1sico, a autorrepresenta\u00e7\u00e3o. A ideia de que eu preciso ter a possibilidade de narrar a minha pr\u00f3pria hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Eu, como ator narrador, como atriz narradora ou como uma persona que n\u00e3o est\u00e1 colocada nem no g\u00eanero masculino ou feminino, de narrar a pr\u00f3pria hist\u00f3ria. Por qu\u00ea? Porque eu consigo organizar a cena, n\u00e3o \u00e9 mais s\u00f3 sobre protagonismo ou antagonismo, n\u00e3o. \u00c9 sobre como eu posso organizar todos os materiais. O N\u00facleo Bartolomeu cria essa linguagem em 2000, ou seja, 23 anos atr\u00e1s. Isso, h\u00e1 23 anos atr\u00e1s, era tipo como se eu xingasse a m\u00e3e de algu\u00e9m. Ningu\u00e9m acreditava que isso fosse poss\u00edvel, achavam que isso era uma grande besteira, e a gente conseguiu, pela nossa insist\u00eancia no teatro e no <em>hip hop<\/em>, construir linguagem.<\/p>\n<p>A ideia do ator e da atriz MC, a ideia do DJ narrador a ideia de que todos os elementos c\u00eanicos s\u00e3o necess\u00e1rios para se contar uma hist\u00f3ria, ent\u00e3o a gente chamou isso de dramaturgia c\u00eanica. A ideia de que n\u00e3o tem subservi\u00eancia de linguagens, isso quer dizer o qu\u00ea? O texto n\u00e3o serve \u00e0 m\u00fasica, a m\u00fasica n\u00e3o serve ao texto, a atua\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 a servi\u00e7o [de outra linguagem]. Todos est\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es horizontais e s\u00e3o elementos necess\u00e1rios para contar a narrativa. E ao longo desse tempo a gente foi criando v\u00e1rios desdobramentos.<\/p>\n<p>Por exemplo, o <em>slam<\/em> no Brasil chega a partir do N\u00facleo Bartolomeu de Depoimentos em 2008. Hoje, neste ano, nos 50 anos do hip hop, s\u00e3o 15 anos do <em>slam<\/em> no Brasil, 2023. Quem trouxe foi a Roberta Estrela D&#8217;Alva, o primeiro <em>slam<\/em> aconteceu na sede do Clube Bartolomeu de Depoimentos. Em 2008, voc\u00ea tinha uma comunidade de <em>slam<\/em>, hoje voc\u00ea tem quase 300 no Brasil inteiro. Esse \u00e9 o poder da linguagem.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>\u00a0Voc\u00ea falou tamb\u00e9m do<em> slam<\/em>, o que voc\u00ea acha que o <em>slam<\/em> representa para a poesia brasileira?<br \/> <strong>Lima:<\/strong> N\u00e3o vou nem falar palavras minhas. Segundo o [escritor e produtor cultural] Marcelino Freire, o <em>slam<\/em> \u00e9, talvez seja, dos \u00faltimos 20 anos, o movimento mais importante da poesia brasileira. Mas, para al\u00e9m disso, ele cria comunidades. E comunidades s\u00e3o o qu\u00ea? Possibilidade de pessoas em espa\u00e7os livres falarem o que pensam sobre o mundo atrav\u00e9s de linguagens po\u00e9ticas.<\/p>\n<p>N\u00e3o existe uma poesia de <em>slam<\/em>. Slam, a competi\u00e7\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um pretexto para se construir vocabul\u00e1rio. E a gente colocou o <em>slam<\/em> brasileiro na rota, nos seus grandes encontros mundiais, tanto \u00e9 que este ano, em 2023, o Campeonato Mundial de Slam acontece no Rio de Janeiro e quem vai apresentar \u00e9 o N\u00facleo Bartolomeu de Depoimentos.\u00a0Voc\u00ea teve durante muito tempo, quase dez anos, o Rio Poetry Slam, que foi o primeiro festival internacional de poesia falada. Voc\u00ea tem o campeonato brasileiro, o Slam BR, que foi o N\u00facleo Bartolomeu que montou. O campeonato estadual, que \u00e9 o Slam SP, que foi o N\u00facleo Bartolomeu que montou. Isso criou uma possibilidade de in\u00fameras, m\u00faltiplas reconex\u00f5es de diversos caminhos com diversas comunidades, desde o Amazonas at\u00e9 o Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>E, como dado concreto, n\u00e3o que eu acho que isso seja uma prova, mas \u00e9 um dado concreto, h\u00e1 o livro escolhido no Jabuti de 2022, que \u00e9 <em>Tamb\u00e9m Guardamos Pedras Aqui<\/em>, da Luiza Rom\u00e3o. A Luiza Rom\u00e3o \u00e9 uma poeta que se formou no <em>slam<\/em>. Depois de um processo, cria um grande livro, que \u00e9 um livro bel\u00edssimo, onde ela recria a partir da vis\u00e3o das mulheres a Il\u00edada [poema \u00e9pico grego], e o livro ganha o Pr\u00eamio Jabuti de Poesia. H\u00e1 dois anos atr\u00e1s, o<em> Slam da Guilhermina<\/em> ganhou o Pr\u00eamio Jabuti, como a melhor proposi\u00e7\u00e3o de incentivo \u00e0 leitura. Ou seja, at\u00e9 as estruturas formais j\u00e1 reconheceram o <em>slam<\/em>. N\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o mais do que eu acho, \u00e9 um dado concreto. O <em>slam<\/em> veio e veio pra ficar e mudou a cara da poesia, e n\u00e3o s\u00f3 da poesia, da rela\u00e7\u00e3o da poesia com o mundo no Brasil.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong> <em>Sobrevivendo no Inferno<\/em>, dos Racionais \u00e9 leitura obrigat\u00f3ria para o vestibular da Universidade Estadual de Campinas. Como \u00e9 que voc\u00ea v\u00ea isso? Qual \u00e9\u00a0a import\u00e2ncia disso?<br \/> <strong>Lima:<\/strong> Eu acho que isso \u00e9 s\u00f3 uma prova do que j\u00e1 estava constru\u00eddo h\u00e1 muito tempo. A academia demora muito para reconhecer aquilo que \u00e9 \u00f3bvio, \u00e0s vezes, acha que descobriu a pedra quando descobre aquilo que era \u00f3bvio e cria outras normativas. Porque, assim, o <em>Sobrevivendo no Inferno<\/em> foi um cl\u00e1ssico instant\u00e2neo. <em>Di\u00e1rio de um Detento<\/em>, <em>Estou Ouvindo Algu\u00e9m me Chamar<\/em>, <em>F\u00f3rmula M\u00e1gica da Paz<\/em>\u00a0foram cl\u00e1ssicos instant\u00e2neos.\u00a0N\u00e3o s\u00f3 pela documenta\u00e7\u00e3o do processo hist\u00f3rico, porque ali o Racionais se firmava como talvez a maior representa\u00e7\u00e3o da m\u00fasica brasileira naquele momento hist\u00f3rico, em um lugar onde n\u00e3o se pensava que poderia se constituir sabedoria.<\/p>\n<p>Eu gosto muito de um trecho do <em>F\u00f3rmula M\u00e1gica da Paz<\/em>, do Racionais, que o Brown fala assim:\u00a0&#8220;Essa porra \u00e9 um campo minado. Quantas vezes eu pensei em me tacar daqui, mas a\u00ed, minha \u00e1rea \u00e9 tudo o que eu tenho. A minha vida \u00e9 aqui, eu n\u00e3o consigo sair. Eu podia fugir, mas eu n\u00e3o vou. N\u00e3o vou trair quem eu fui e quem eu sou. Eu sei pra onde vou e de onde vim. O ensinamento da favela foi muito bom pra mim. Cada lugar um lugar, cada lugar uma lei, cada lei uma raz\u00e3o. E eu sempre respeitei qualquer jurisdi\u00e7\u00e3o, qualquer \u00e1rea&#8221;.\u00a0Pensa nisso, na trajet\u00f3ria da m\u00fasica, mas pensa nisso se ele n\u00e3o est\u00e1 falando sobre a linguagem? \u00c9 isso: a linguagem \u00e9 um campo minado, entendeu? Mas e a\u00ed?! Minha \u00e1rea \u00e9 tudo eu tenho, a minha vida \u00e9 aqui, entendeu? Eu n\u00e3o consigo sair. \u00c9 sobre cultura, sobre linguagem, sobre pertencimento, sobre a dona Maria de luto, narrativas que o Brasil nunca teve capacidade de entender como elas eram produzidas.<\/p>\n<p>O livro <em>Sobrevivendo no Inferno<\/em> n\u00e3o \u00e9 nada mais do que a academia entendendo, os processos das editoras entendendo a grande sabedoria. Porque ele \u00e9 tudo: ele \u00e9 literatura, \u00e9 conhecimento, \u00e9 hino, \u00e9 sobreviv\u00eancia, \u00e9 estilo de vida, \u00e9 um monte de coisa. <em>Sobrevivendo no Inferno<\/em> \u00e9 um grande documento e \u00e9 tamb\u00e9m um documento da dor. O Brown fala sobre isso: \u00e9 um grande documento da dor.\u00a0Nos <em>shows<\/em> de Sobrevivendo no Inferno tiveram aqueles grandes acontecimentos, pessoas que faleceram e tal. Tamb\u00e9m \u00e9 um documento da dor. N\u00e3o est\u00e1 dissociada\u00a0uma coisa da outra. E os livros, eles s\u00e3o um dos instrumentos. N\u00e3o \u00e9 o instrumento, mas \u00e9 um dos. \u00c9 uma literatura que eu acho que sai da oralidade para se transformar em literatura.<\/p>\n<p>E como isso \u00e9 uma dicotomia s\u00f3 para a cultura ocidental, porque, na verdade, isso em outras culturas n\u00e3o \u00e9 dicot\u00f4mico, muito pelo contr\u00e1rio. A <em>Odisseia<\/em> e a <em>Il\u00edada<\/em> foram faladas durante s\u00e9culos antes de serem escritas. Todo mundo sabe disso.<\/p>\n<p>Aqueles poemas \u00e1rabes \u2013 c\u00e1ssida [tipo de verso] &#8211; passaram quatro s\u00e9culos na oralidade antes de algu\u00e9m escrever. Isso \u00e9 um processo natural.\u00a0O <em>hip hop<\/em> se conecta com outras estruturas de conhecimento da oralidade, da presen\u00e7a e da presen\u00e7a diasp\u00f3rica. Eu acho que \u00e9 importante falar disso. S\u00e3o muitas di\u00e1sporas.<\/p>\n<p>A gente perdeu este ano um grande poeta, um grande MC, que \u00e9 o Azagaia, de Mo\u00e7ambique. Tem uma m\u00fasica dele chamada <em>Ma\u00e7onaria<\/em>, que ele faz uma esp\u00e9cie de digress\u00e3o desde a escravid\u00e3o at\u00e9 os dias atuais. Ele fala assim: &#8220;Quando os europeus ganharam gosto pelo a\u00e7\u00facar, escravos no Brasil plantaram cana-de-a\u00e7\u00facar e algod\u00e3o no sul da Am\u00e9rica e no Novo M\u00e9xico, enquanto o chicote ensinava o novo l\u00e9xico.&#8221;\u00a0Isso \u00e9 de uma poesia absurda. O chicote criou um novo l\u00e9xico. \u00c9 sobre dor, \u00e9 sobre resist\u00eancia, \u00e9 sobre estar na linha de frente, ao mesmo tempo sobre como criar estrat\u00e9gias para al\u00e9m da sobreviv\u00eancia, para a pr\u00f3pria exist\u00eancia.<\/p>\n<p id=\"infocoweb_fonte\" class=\"infocoweb_fonte\">Fonte: <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2023-11\/hip-hop-e-maior-cultura-urbana-da-historia-afirma-pesquisador#ed21b814-1120-4a96-93fc-a3c62eedcaaf\" rel=\"noopener\">EBC GERAL<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA maior cultura urbana da hist\u00f3ria da humanidade.\u201d\u00a0\u00c9\u00a0assim que o DJ Eug\u00eanio Lima define o hip hop, que em 2023 completa 50 anos de exist\u00eancia e 40 anos de presen\u00e7a no Brasil. 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