Em Caruaru (PE), secretária Lilian Rahal participa da abertura da Semana do Clima da Caatinga

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Em um esforço para centralizar o debate sobre clima nos territórios mais afetados, a secretária Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), Lilian Rahal, participou da mesa de abertura da Semana do Clima da Caatinga (Caatinga Climate Week) nesta quinta-feira (2.10), em Caruaru, no agreste pernambucano. O evento, que se estende até sábado (4.10), apresenta soluções de adaptação à crise climática às vésperas da COP30.

Promovido pelo Centro Sabiá em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA), o seminário surge como um chamado global para reconhecer o semiárido como território estratégico na agenda climática. Durante os dias de evento, lideranças indígenas, quilombolas, assentados, agricultores agroecológicos, cientistas, movimentos sociais e gestores públicos percorrerão mais de 400km, entre sete municípios, para conhecer soluções práticas de adaptação à crise climática.

Em sua fala, a secretária Lilian Rahal frisou a necessidade de ampliar as entregas voltadas para a política hídrica na região. “Vamos celebrar agora a entrega de cerca de 100 mil novas cisternas e, ano que vem, vamos entregar outras mais de 100 mil. A nossa disputa é fazer com que esse programa volte a ser visto como um programa prioritário e que vai impactar a vida de muitas famílias”, anunciou Lilian Rahal durante a mesa de abertura.

A programação é baseada em experiências concretas que mostram que o semiárido, longe de ser um território de escassez, é um laboratório vivo de resistência e inovação climática. Além disso, o local  pode servir de referência para outras regiões e países que têm enfrentado a escassez hídrica e lidado com tempos cada vez maiores de estiagem e secas prolongadas.

Desafios

No entanto, o bioma Caatinga sofre pressões intensas. Perdeu quase metade da vegetação nativa e enfrenta um clima progressivamente mais quente e seco, tornando-se um ambiente hostil para mamíferos e outras espécies. Um estudo publicado pela Global Change Biology alerta que a região poderá perder até 91,6% de suas espécies de mamíferos e 87% de seus habitats naturais até 2060.

Dados do MapBiomas mostram que a Mata Branca perdeu 15 milhões de hectares de vegetação primária entre 1985 e 2020, o que representa mais de 26% da floresta. O levantamento também registrou um decréscimo de 40% nos cursos de água natural que fluem pela região. Quase a totalidade do bioma no Brasil está classificada entre as Áreas Suscetíveis à Desertificação (ASD).

Para Carlos Magno, coordenador do Centro Sabiá, a Caatinga tem um papel fundamental no debate climático. “Existem diversas experiências concretas de adaptação climática, além de ser um território que está enfrentando o avanço dos empreendimentos de energia renovável”, destacou. 

O Caatinga Climate Week conta com a parceria da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), dos Movimentos dos Trabalhadores e Trabalhadoras Sem Terra (MST), da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste (APOINME), do Observatório do Clima, da Plataforma Semiárido e do Consórcio de Governadores do Nordeste. Também apoiam o evento a Cáritas Alemã e o Instituto Umbuzeiro.

Assessoria de Comunicação – MDS

 

Fonte: Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome