O Ministério de Minas e Energia (MME) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) publicaram, nesta sexta-feira (29/08), o Caderno de Preços Internacionais do Petróleo e seus Derivados, parte integrante do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2035. O estudo apresenta análises técnicas e projeções para os mercados internacionais de petróleo até o ano de 2035, com objetivo de orientar decisões estratégicas para o setor energético brasileiro para os próximos anos.
A análise das trajetórias de preços de petróleo e seus derivados é fundamental para avaliar a competitividade de fontes de energia e tecnologias alternativas, sobretudo em um cenário global de volatilidade geopolítica, no qual o Brasil enfrenta o desafio de equilibrar pressões diplomáticas. Essa avaliação também ajuda a diversificar parcerias estratégicas e gerenciar os impactos da instabilidade nos preços das commodities, enquanto o país busca capitalizar oportunidades para posicionar seu petróleo de baixa intensidade de carbono como ativo energético confiável, reforçando a autonomia estratégica.
O destaque fica por conta da pressão estrutural de baixa nos preços do petróleo no curto prazo, caracterizado por oferta elevada, estoques acumulados e crescimento moderado da demanda. Sobretudo, em um contexto em que riscos geopolíticos atuam como principais catalisadores de volatilidade nos mercados, incluindo conflitos no Oriente Médio, tensões comerciais entre Estados Unidos e China, e instabilidades em países produtores.
O Caderno mostra ainda que a Opep+ tem se orientado menos pela otimização de preços e mais pela reafirmação de poder estratégico em um cenário energético em transição, enfrentando o complexo desafio de equilibrar alinhamentos geopolíticos, disciplina interna da organização e posicionamento competitivo frente ao shale norte-americano.
No segmento de derivados, a projeção é de manutenção de preços em patamares elevados, porém abaixo da média das últimas duas décadas, com o óleo diesel mantendo prêmio significativo devido à sua importância em setores de difícil descarbonização, enquanto a gasolina apresenta tendência de redução do prêmio ao longo do período, refletindo o avanço da eletrificação em veículos leves de passeio.
A análise destaca que mudanças no parque de refino global estão em andamento, buscando manter a atratividade dos investimentos no setor. Essas transformações consideram a manutenção do consumo energético e o crescimento da demanda para o setor de transformação, onde óleo diesel e nafta preservam relevância, enquanto gasolina, coque e óleo combustível perdem importância relativa.
A hegemonia chinesa em suprimentos de energia renovável e em cadeias críticas de minerais estratégicos é identificada como um fator de redefinição das estratégias geoeconômicas globais, com reflexos diretos na competitividade e formação de preços energéticos. No contexto brasileiro, essa dinâmica adquire particular relevância considerando a posição do país como importante produtor de petróleo offshore e um dos principais produtores de biocombustíveis.
O Caderno de Preços Internacionais do Petróleo e seus Derivados está disponível no link.
Assessoria Especial de Comunicação Social – MME
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