Bocalom defende na COP30 que preservação ambiental não pode desprezar o ser humano

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“Precisamos cuidar dos animais e da floresta, mas temos que cuidar principalmente do ser humano”, afirmou

Foto: Divulgação

O prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, foi um dos destaques da COP30, em Belém (PA), ao defender que as políticas ambientais voltadas para a Amazônia devem preservar a floresta sem transformar o ser humano em refém da preservação.

“Precisamos cuidar dos animais e da floresta, mas temos que cuidar principalmente do ser humano”, afirmou Bocalom, em um dos momentos mais aplaudidos do painel da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), que reuniu gestores de todo o país para discutir ações locais de enfrentamento às mudanças climáticas.

Com mais de 30 anos de trajetória pública, Bocalom lembrou que sua visão sobre o equilíbrio entre produção e sustentabilidade sempre foi alvo de críticas, mas hoje é amplamente reconhecida — inclusive por adversários políticos. “Quando cheguei ao Acre para trabalhar com madeireira, defendi o uso sustentável da floresta. Fui acusado de querer ‘rondonializar’ o Acre, mas o tempo provou que eu estava certo”, afirmou.

Ainda como prefeito de Acrelândia, ele apresentou à então ministra Marina Silva um projeto de zoneamento por propriedade, que propunha realocar famílias de agricultores de áreas improdutivas para regiões de solo fértil, permitindo que as antigas áreas se regenerassem naturalmente.

Hoje, exercendo seu segundo mandato à frente da capital acreana, Bocalom destacou que a mecanização agrícola, a correção do solo e o incentivo à agricultura familiar são medidas concretas para reduzir queimadas, aumentar produtividade e ampliar a renda das famílias rurais. “Com mais de 4.100 hectares de roçados mecanizados, conseguimos reduzir drasticamente as queimadas na zona rural e consequentemente a fumaça que antes invadia a cidade”, disse.

Outro ponto enfatizado por Bocalom foi o manejo responsável dos resíduos sólidos. Ele ressaltou o avanço da coleta seletiva, a estruturação do aterro sanitário e a coordenação, por meio da Associação dos Municípios do Acre – AMAC e do Consórcio Intermunicipal de Resíduos Sólidos – CINRESO, de ações integradas para o destino correto do lixo em todos os municípios acreanos.

“Educação ambiental, mecanização e gestão correta dos resíduos urbanos têm melhorado a qualidade do ar em Rio Branco. Estamos cuidando da floresta, mas também das pessoas que vivem nela”, resumiu.

Em sua fala na COP30, o prefeito fez ainda um apelo direto aos países financiadores das políticas climáticas:

“Quando mandarem recursos para a Amazônia, lembrem também das famílias que vivem nela e são as verdadeiras guardiãs da floresta. Em muitas comunidades, se alguém adoece, precisa ser carregado em rede por dias até chegar a uma unidade de saúde. Essa realidade, muitas vezes, não aparece nos relatórios das ONGs.”

Ao lado do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, Bocalom representou a visão dos gestores municipais que defendem um modelo de desenvolvimento que una preservação, dignidade e qualidade de vida.

“Não queremos ser vistos apenas como guardiões da floresta. Somos também produtores de alimentos, trabalhadores e cidadãos que precisam viver com dignidade”, concluiu.