O documento, intitulado “Mortalidade Materna de Mulheres Negras e Racismo Obstétrico”, denuncia a negligência institucional e as desigualdades raciais persistentes nos serviços públicos de saúde
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O Conselho Regional de Serviço Social da Bahia (CRESS-BA) tornou pública uma Carta Aberta ao governador Jerônimo Rodrigues, cobrando medidas urgentes para enfrentar o racismo obstétrico e a elevada taxa de mortalidade materna de mulheres negras no estado. O documento, intitulado “Mortalidade Materna de Mulheres Negras e Racismo Obstétrico”, denuncia a negligência institucional e as desigualdades raciais persistentes nos serviços públicos de saúde.
A carta destaca que mulheres negras são desproporcionalmente afetadas por complicações durante a gestação e o parto, muitas vezes em decorrência de falhas evitáveis no atendimento, preconceito racial e desumanização no cuidado. “A Bahia, estado com a maior população negra fora da África, não pode permitir que o racismo continue sendo um determinante de morte”, afirma o texto.
Medidas urgentes
Entre as propostas apresentadas ao governo do estado estão:
•Formação continuada de profissionais de saúde em relações étnico-raciais;
•Protocolos específicos de atenção às gestantes negras;
•Fortalecimento da atenção básica e do pré-natal;
•Criação de um Comitê Estadual de Enfrentamento ao Racismo Obstétrico;
•Produção e análise de dados desagregados por raça, cor, etnia e território.
Quem assina a Carta
A legitimidade da carta é reforçada pela articulação entre conselhos profissionais e importantes entidades do movimento negro baiano. Assinam o documento:
•CRESS 5ª Região – BA (Conselho Regional de Serviço Social)
•CRP 3ª Região – BA (Conselho Regional de Psicologia)
•FENEBA – Fórum de Entidades Negras da Bahia
•Rede de Mulheres Negras da Bahia
•MNU – Movimento Negro Unificado da Bahia
•Bloco Afro Os Negões
•UNEGRO – União de Negros e Negras Pela Igualdade
•CONEN – Coordenação Nacional de Entidades Negras
•ODARA – Instituto da Mulher Negra
•Movimento de Mulheres Negras Dandara do SISAL
A união dessas organizações reafirma a urgência da pauta e a cobrança por respostas concretas do poder público.
Um grito coletivo por justiça
A carta aberta é, acima de tudo, um manifesto por vida, dignidade e justiça racial. O CRESS-BA e as entidades signatárias reforçam que enfrentar o racismo obstétrico é uma obrigação do Estado e um passo essencial para garantir o direito à saúde e à vida de todas as mulheres, especialmente as que historicamente têm sido invisibilizadas e violentadas pelo sistema.
A íntegra do documento pode ser acessada no site oficial do CRESS-BA: www.cress-ba.org.br
