Na primeira missa presidida em Angola, o Papa recordou a guerra civil e pediu que antigas divisões sejam superadas, assim como o ódio, a violência e corrupção: “Só assim será possível um futuro de esperança, sobretudo para os muitos jovens que a perderam. Irmãos e irmãs, hoje é necessário olhar para o futuro com esperança e construir a esperança do futuro”
Bianca Fraccalvieri – Vatican News
O domingo do Papa Leão em Angola é dedicado inteiramente à comunidade católica. Em Luanda, na capital, o Pontífice presidiu à Santa Missa na esplanada de Kilamba, com a participação de milhares de fiéis.
Primeiro país lusófono a acolher Leão XIV, toda a cerimônia foi em português, inclusive a homilia pronunciada pelo Santo Padre, que logo no início agradeceu pela calorosa acolhida. A reflexão foi inspirada pelo Evangelho deste Terceiro Domingo da Páscoa, em que o Senhor nos fala através do episódio dos discípulos de Emaús (cf. Lc 24, 13-35).
Uma narração, afirmou o Papa, na qual se reflete a história de Angola: “Ao longo do caminho, a conversa dos dois discípulos, que recordam com desânimo o que aconteceu ao seu Mestre, traz à memória a dor que marcou o vosso país: uma longa guerra civil com o seu rasto de inimizades e divisões, de recursos desperdiçados e de pobreza”.

Cuidado para não confundir e misturar elementos mágicos e supersticiosos
O risco, alertou, é perder a esperança e ficar paralisados pelo desânimo. Mas a Boa Nova do Senhor é que Ele está vivo, ressuscitou e caminha ao nosso lado, ajudando a olhar para além da dor. Para isso, o Santo Padre recomendou reforçar a relação com Ele na oração, na escuta da sua Palavra e, sobretudo, na celebração da Eucaristia. E advertiu: “É necessário estar sempre atentos às formas de religiosidade tradicional, que certamente pertencem às raízes da vossa cultura, mas que, ao mesmo tempo, correm o risco de confundir e misturar elementos mágicos e supersticiosos que não ajudam no caminho espiritual. Permanecei fiéis ao que a Igreja ensina, confiai nos vossos pastores e mantende o olhar fixo em Jesus, que se revela especialmente na Palavra e na Eucaristia”.
Quanto aos problemas sociais e econômicos e as diversas formas de pobreza que existem em Angola, Leão XIV pediu uma Igreja que saiba estar próxima no caminho e saiba ouvir o clamor dos seus filhos. “Uma Igreja que, com a luz da Palavra e o alimento da Eucaristia, saiba reavivar a esperança perdida. Uma Igreja feita de pessoas como vós, que se doam tal como Jesus parte o pão para os dois discípulos de Emaús. Angola precisa de bispos, sacerdotes, missionários, religiosas e religiosos, leigas e leigos que tenham no coração o desejo de partir a sua vida e doá-la uns aos outros, de se empenhar no amor e no perdão mútuos, de construir espaços de fraternidade e paz, de realizar gestos de compaixão e solidariedade para com quem mais precisa.”
Olhar para o futuro com esperança e construir a esperança do futuro
“Com a graça de Cristo Ressuscitado, podemos tornar-nos esse pão partido que transforma a realidade”, encorajou o Papa. E assim, construir um país onde as antigas divisões sejam superadas, onde o ódio e a violência desapareçam, onde a chaga da corrupção seja curada por uma nova cultura de justiça e partilha. Só assim será possível um futuro de esperança, sobretudo para os muitos jovens que a perderam. E exortou:
Leão XIV concluiu afirmando que os angolanos podem contar com a proximidade e a oração do Papa, confiando os féis à proteção e à intercessão da Virgem Maria, Nossa Senhora de Muxima.

