Pesquisa Meio/Ideia mostra Lula na frente e consolidação de dois polos na disputa presidencial de 2026

Política

Levantamento nacional indica liderança do presidente na intenção espontânea de voto, com Flávio Bolsonaro como principal nome do campo conservador; cenários de segundo turno apontam disputa polarizada

Foto: Gerada por IA

A nova pesquisa nacional do instituto Ideia, realizada em parceria com o portal Meio e divulgada hoje, revela um cenário eleitoral que já começa a tomar forma para a disputa presidencial. O levantamento, realizado entre os dias 6 e 10 de março com 1.500 entrevistas telefônicas em todo o país e margem de erro de 2,5 pontos percentuais, indica a consolidação de dois polos políticos na corrida pelo Palácio do Planalto.

No cenário espontâneo — quando os entrevistados respondem livremente em quem votariam se a eleição fosse hoje — o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece na liderança com 33,4% das intenções de voto. Em segundo lugar surge Flávio Bolsonaro, com 18,5%, consolidando-se como o principal nome associado ao campo bolsonarista no levantamento.

A distância entre os dois primeiros colocados reforça a centralidade da polarização que marcou as últimas disputas presidenciais no país. Ainda na avaliação dos analistas do instituto, o fato de ambos aparecerem com níveis elevados de lembrança espontânea demonstra que os dois polos políticos permanecem fortemente presentes na memória do eleitorado.

Outro dado relevante apontado pela pesquisa diz respeito ao chamado “teto eleitoral”. Segundo a análise divulgada pelo Ideia, tanto Lula quanto o principal nome do campo conservador apresentam índices elevados de rejeição, com patamares superiores a 40% e chegando a cerca de 46% em determinados cenários estimulados. Isso indica limites claros de crescimento para ambos os lados e sugere que a eleição poderá depender da capacidade de conquistar eleitores ainda indecisos ou menos engajados.

Nos cenários estimulados de primeiro turno — quando os nomes dos possíveis candidatos são apresentados ao entrevistado — a disputa continua liderada pelo atual presidente, que mantém vantagem sobre os adversários testados. Entre os nomes avaliados aparecem lideranças associadas ao campo conservador e a possíveis candidaturas alternativas, indicando que o quadro eleitoral ainda pode sofrer rearranjos à medida que as alianças partidárias se consolidem.

O levantamento também simulou cenários com diferentes nomes da direita e do centro-direita, incluindo figuras como governadores e lideranças nacionais que vêm sendo citadas como potenciais candidatos. Mesmo com variações de nomes, a pesquisa sugere que o campo oposicionista tende a se organizar em torno de um candidato capaz de concentrar o voto conservador.

Já nas projeções de segundo turno, o estudo aponta que a eleição tende a reproduzir novamente uma disputa altamente polarizada. As simulações indicam confrontos diretos entre o candidato associado ao campo lulista e representantes do campo bolsonarista ou da direita nacional, com diferenças relativamente estreitas dependendo do adversário testado.

Os dados também revelam que a disputa ainda está longe de definida. A presença significativa de eleitores indecisos, somada aos níveis elevados de rejeição dos principais polos políticos, abre espaço para movimentos estratégicos ao longo do processo eleitoral.

Além das intenções de voto, a pesquisa trouxe indicadores sobre o ambiente político e institucional do país. O levantamento mostra, por exemplo, que mais da metade dos entrevistados não acredita que tenha havido tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. O estudo também aponta que a imagem do Supremo Tribunal Federal enfrenta desgaste relevante junto à opinião pública, tema que pode influenciar o debate político nos próximos meses.

Para os analistas do Ideia, o cenário atual indica que a eleição de 2026 tende a ser novamente marcada por forte polarização, mas com margens ainda abertas para mudanças. A definição dos candidatos, a formação das alianças partidárias e o desempenho do governo nos próximos meses serão fatores decisivos para moldar o quadro eleitoral definitivo.

Com mais de seis meses até a votação, o levantamento funciona como um retrato da corrida presidencial — e mostra que, mesmo com possíveis novos nomes surgindo no tabuleiro político, os dois grandes polos da política brasileira continuam estruturando a disputa pelo Planalto.

Confira pesquisa completa no link abaixo

Pesquisa Meio_Ideia Março 2026