A “remodelagem” da Auditoria da Sesab, com a demissão da Diretora Geral e de suas adjuntas, põe em risco a transparência e a fiscalização do SUS na Bahia, enquanto Organizações Sociais se multiplicam e transformam a saúde pública em negócio milionário
Foto: Flickr
Ontem (15), auditores do SUS/BA receberam a notícia mais devastadora em 26 anos de existência da Auditoria: o seu desmonte. Sob o rótulo de “remodelagem”, a Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab) exonerou a Diretora Geral e suas adjuntas, substituindo-as por integrantes da Corregedoria — sem qualquer experiência na área. Um duro golpe contra o controle, a transparência e o combate à corrupção no sistema de saúde pública.
O impacto dessa decisão é devastador: a proliferação das Organizações Sociais (OSs) na gestão dos hospitais públicos da capital e do interior transformou a saúde em um negócio altamente lucrativo, mas também fértil para o superfaturamento de contratos, desvios de recursos e distribuição de propinas. Ao enfraquecer a auditoria, o governo estadual não apenas fecha os olhos para as irregularidades, como cria terreno fértil para que elas se multipliquem.
Os relatórios produzidos pela Auditoria ao longo de mais de duas décadas sempre incomodaram — principalmente os auditados. E não é por acaso: já houve casos em que relatórios resultaram em prisões de gestores e dirigentes após a constatação de graves irregularidades em hospitais da Bahia. Porém, há muito tempo, esses mesmos relatórios acabam engavetados nos gabinetes da Sesab, por interesses nada republicanos.

“As Organizações Sociais (OS), na sua maioria, tratam o serviço de saúde pública como um negócio como outro qualquer, e as pessoas como números e não seres humanos. Assim calculam seus lucros e o povo que sofra ou morra por falta de atendimento”, declarou um auditor ouvido pela reportagem, que pediu anonimato por receio de retaliações.
É importante destacar que nem todas as OS estão envolvidas em esquemas de corrupção ou desvios de recursos. Contudo, todas, sem exceção, precisam ser auditadas — para que prestem de fato um bom serviço à população e recebam apenas pelo que executam, sem privilégios forjados por conchavos políticos.
Em nome da “remodelagem”, o que se pratica é a institucionalização da impunidade. É inadmissível que um governo do PT, que se apresenta como guardião da democracia, da transparência e da justiça social, seja protagonista desse retrocesso. A Bahia corre o risco de mergulhar em um ciclo perverso: mais corrupção, mais mau serviço, mais sofrimento para quem precisa do SUS.
Hoje devem ser anunciadas as próximas medidas da Sesab. Mas os auditores já não esperam nada de bom. A palavra que define o momento é clara: desmonte.
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