A nova etapa, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), cumpre seis mandados de busca e apreensão, uma medida de afastamento de agente público e o bloqueio de bens e valores dos investigados
Foto: Divulgação!PF
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (16) a sétima fase da Operação Overclean, que investiga um vasto esquema de corrupção, direcionamento de licitações e desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares e contratos de obras em municípios da Bahia e do Rio de Janeiro. A nova etapa, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), cumpre seis mandados de busca e apreensão, uma medida de afastamento de agente público e o bloqueio de bens e valores dos investigados.
As ações se concentraram em Salvador, Riacho de Santana e Wenceslau Guimarães (BA), além de Arraial do Cabo (RJ). Entre os alvos estão prefeitos e empresários suspeitos de integrar o núcleo político-empresarial do esquema. O prefeito de Riacho de Santana, João Vítor Laranjeira (PSD-BA), foi afastado do cargo, enquanto o de Wenceslau Guimarães, Gabriel de Parisio (MDB), foi preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo durante o cumprimento de mandado. Documentos, celulares, computadores e planilhas com indícios de fraudes foram apreendidos.

O prefeito de Riacho de Santana, no sudoeste da Bahia, Dr Joao Vítor (PSD), foi afastado do cargo, e o prefeito de Wenceslau Guimarães, Gabriel de Parisio (MDB), foi preso por posse ilegal de arma de fogo — Foto: Reprodução/Redes Sociais
A nova ofensiva ocorre apenas dois dias após a sexta fase, que mirou o deputado federal Dal Barreto (União-BA), alvo de busca e apreensão e bloqueio de bens no valor de R$ 85,7 milhões. O parlamentar teve o celular apreendido no Aeroporto de Salvador e nega qualquer envolvimento.
Uma operação em sete capítulos
A Operação Overclean teve início em dezembro de 2024, com o objetivo de desarticular um grupo que, segundo a PF, desviou mais de R$ 1,4 bilhão de contratos públicos, principalmente do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS). O nome da operação faz alusão ao uso de contratos de limpeza urbana e coleta de lixo como fachada para desvio de recursos.
Na primeira fase, a PF cumpriu 43 mandados de busca e apreensão e 17 prisões preventivas em vários estados, identificando o empresário José Marcos de Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, como peça central no esquema.
A segunda fase, ainda em dezembro de 2024, aprofundou o rastreamento financeiro e prendeu quatro investigados, além de bloquear R$ 4,7 milhões em bens. As investigações apontaram que a organização mantinha uma célula de vazamento de informações, inclusive com o envolvimento de servidores públicos.
Em abril de 2025, a terceira fase alcançou ex-gestores municipais e empresários em Salvador, São Paulo, Belo Horizonte e Aracaju, e revelou o elo do grupo com figuras políticas. O ex-secretário municipal de Educação de Belo Horizonte, Bruno Barral, foi um dos investigados.
A quarta fase, em junho de 2025, levou ao afastamento dos prefeitos de Boquira e Ibipitanga, ambos na Bahia, e à apreensão de malotes de dinheiro em espécie na casa do ex-prefeito de Paratinga, Marcel José Carneiro. As fraudes se concentravam em licitações superfaturadas e no uso irregular de emendas parlamentares.
A quinta fase, em julho, expandiu o foco para o Distrito Federal e atingiu empresários ligados a políticos de expressão nacional, como Elmar e Elmo Nascimento (União-BA). Foram 18 mandados de busca e o bloqueio de R$ 85,7 milhões.
Na sexta fase, em 14 de outubro de 2025, a PF cumpriu oito mandados de busca e sequestro de bens de parlamentares e assessores suspeitos de operar o repasse de verbas federais a municípios controlados por aliados.
A sétima fase, agora, marca o avanço das investigações sobre prefeitos em exercício, aprofundando as ligações entre empresas de fachada, licitações combinadas e repasses de emendas destinadas a obras e serviços públicos.
Estrutura e método do esquema
Segundo a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU), o grupo operava a partir de três núcleos principais: o político, responsável pela liberação das emendas; o empresarial, que executava contratos simulados ou superfaturados; e o operacional, responsável por lavar o dinheiro por meio de empresas de fachada, compra de imóveis e movimentação de valores em espécie.
As investigações mostram que parte dos recursos desviados era repassada a intermediários por meio de transferências bancárias disfarçadas e contratos de consultoria falsos. O dinheiro também era usado para financiar campanhas políticas e manter o poder de influência em órgãos públicos.
Impactos e próximos passos
Com sete fases deflagradas em menos de um ano, a Operação Overclean tornou-se uma das maiores ações de combate à corrupção envolvendo emendas parlamentares e prefeituras municipais desde a Operação Lava Jato.
Até agora, foram mais de 100 mandados de busca e apreensão, 25 prisões preventivas, afastamento de prefeitos e servidores públicos, além do bloqueio de centenas de milhões de reais.
A PF informou que o material apreendido — como celulares, HDs e planilhas — será periciado e cruzado com informações da Receita Federal, do Banco Central e do Coaf para mapear o caminho do dinheiro e identificar todos os beneficiários.
As investigações continuam sob sigilo. A expectativa é que novos desdobramentos ocorram nas próximas semanas, especialmente após o cruzamento de dados obtidos nas fases mais recentes.
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