Após desistência de Ratinho Júnior, partido escolhe governador de Goiás e encerra disputa interna com Eduardo Leite
Foto: Secom-GO
O que seria apenas uma entrevista coletiva do Partido Social Democrático (PSD), marcada para a tarde desta segunda-feira (30), em São Paulo, transformou-se no palco de uma decisão estratégica de alcance nacional: o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, será anunciado como pré-candidato à Presidência da República em 2026.
A coletiva, convocada oficialmente como agenda institucional, deve servir, na prática, como ato político de lançamento, consolidando uma escolha que vinha sendo costurada nos bastidores da legenda nas últimas semanas.
A definição ocorre após a saída de cena do governador do Paraná, Ratinho Júnior, que decidiu não disputar o Planalto neste momento, abrindo caminho para a disputa interna entre Caiado e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite.
Nos últimos dias, o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, intensificou as articulações com dirigentes e lideranças do partido, que acabaram convergindo para o nome de Caiado. A avaliação predominante foi de que o governador goiano reúne, neste momento, melhores condições políticas de unificação interna e projeção nacional.
Além disso, pesou na decisão o movimento simultâneo de desincompatibilização dos governadores — etapa necessária para quem pretende disputar a Presidência —, o que acelerou o calendário político dentro da legenda.
De liderança ruralista à tentativa de protagonismo nacional
Médico de formação e figura histórica do conservadorismo no país, Ronaldo Caiado construiu sua trajetória política ancorado, inicialmente, na representação do setor agropecuário.
Ele ganhou projeção nacional ainda nos anos 1980 como uma das principais lideranças da União Democrática Ruralista (UDR), organização que reuniu grandes proprietários rurais e empresários do campo em meio às tensões agrárias da época.
Foi nesse contexto que disputou a Presidência da República em Eleições presidenciais de 1989 no Brasil, defendendo uma agenda fortemente vinculada à propriedade privada, ao agronegócio e a pautas conservadoras — numa eleição histórica que marcou a redemocratização do país.
Desde então, Caiado percorreu um longo caminho político: foi deputado federal por vários mandatos, senador e, mais recentemente, consolidou-se como governador de Goiás, ampliando seu espectro de atuação para além da pauta ruralista.
Agora, ao ser alçado pelo PSD como pré-candidato ao Planalto, tenta reposicionar sua imagem em escala nacional, buscando dialogar com um eleitorado mais amplo sem abrir mão de suas bases tradicionais.
A escolha de Caiado também sinaliza uma estratégia clara do PSD: posicionar-se como uma alternativa de centro-direita com identidade própria, sem depender diretamente dos polos tradicionais da disputa nacional.
A expectativa é que, durante a coletiva marcada para as 16h, na sede do partido na capital paulista, Caiado não apenas confirme sua pré-candidatura, como também apresente os primeiros eixos de discurso e sinalizações de alianças.
Nos bastidores, dirigentes do PSD tratam o movimento como o início de uma nova fase do partido no cenário nacional — agora não mais como coadjuvante, mas como protagonista na corrida presidencial.
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