Segundo a Reuters, senador deixou o Brasil depois de descumprir ordem do STF para entregar seus passaportes. Investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro, Flávio protagoniza uma crise política e judicial apenas dois dias após perder a eleição presidencial para Lula
Foto: Valter Campanato
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos nesta terça-feira (27), segundo informações divulgadas pela agência internacional Reuters, com base em duas fontes. A saída ocorreu após sua derrota para Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições presidenciais e em meio a uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Flávio descumpriu uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que havia ordenado a entrega de seus passaportes em 24 horas e proibido sua saída do território nacional. Os documentos acabaram cancelados.
O senador é investigado por possíveis vínculos com operações financeiras envolvendo o advogado Willer Tomaz e empresas ligadas ao setor de apostas. As suspeitas incluem movimentações financeiras irregulares e eventual participação oculta em negócios. Flávio e o advogado negam irregularidades.
Politicamente, a saída do país representa um episódio devastador para quem, até poucos dias atrás, disputava a Presidência da República e prometia liderar a oposição ao governo Lula. Em vez de reconhecer formalmente a derrota e prestar os esclarecimentos exigidos pela Justiça, Flávio desapareceu do cenário político nacional.
O episódio também reacende o debate sobre as relações políticas da família Bolsonaro, as investigações financeiras e a necessidade de apuração rigorosa de eventuais conexões com organizações criminosas.
A coincidência entre a derrota eleitoral, o avanço das investigações e a saída do país levanta uma pergunta inevitável: Flávio Bolsonaro pretende enfrentar a Justiça brasileira ou buscar nos Estados Unidos proteção política contra as investigações?
A fuga relatada pela Reuters não constitui, por si só, prova dos crimes investigados. Mas o descumprimento da ordem judicial e as circunstâncias da viagem agravam profundamente a situação política do senador.
Quem pretendia governar o Brasil agora precisa explicar por que deixou o país justamente quando a Justiça exigiu sua presença e seus documentos.
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