Ilê Aiyê entrega proposta oficial ao Togo para homenagem no Carnaval de 2027

Cultura Geral

A entrega foi realizada ao embaixador togolês Lantame Ninsao Obonfo, em um encontro marcado pelo simbolismo e pela reafirmação de uma história compartilhada que atravessa o Atlântico

Foto: Divulgação

Em um gesto que reafirma os laços históricos e culturais entre o Brasil e o continente africano, o Ilê Aiyê formalizou, em Brasília, o convite oficial para que o Togo seja o país homenageado no Carnaval de 2027.

A entrega foi realizada ao embaixador togolês Lantame Ninsao Obonfo, em um encontro marcado pelo simbolismo e pela reafirmação de uma história compartilhada que atravessa o Atlântico. Representando o Ilê Aiyê e o Fórum das Entidades Negras da Bahia, Samuel Azevedo – Diretor Presidente do África900 – conduziu o ato, destacando o caráter não apenas protocolar, mas profundamente político e cultural da iniciativa.

“Mais do que uma proposta formal, o gesto representa uma deferência a um país cuja história, saberes e matrizes culturais dialogam diretamente com a formação da identidade negra no Brasil — especialmente na Bahia, onde o Ilê Aiyê construiu, ao longo de décadas, uma trajetória de valorização da ancestralidade africana”, destacou Azevedo.

Fundado em 1974, o Ilê Aiyê consolidou-se como um dos principais símbolos da luta pela afirmação da identidade negra no Brasil. Seu papel transcende o Carnaval, atuando como agente político-cultural na promoção da autoestima, da reparação histórica e do reconhecimento da diáspora africana como elemento central da formação nacional.

Nesse contexto, a escolha do Togo como tema para 2027 insere-se em uma linha histórica do bloco, que há anos homenageia países e culturas africanas, promovendo pesquisa, intercâmbio e difusão de conhecimento.

Durante o encontro, o embaixador do Togo recebeu a proposta com entusiasmo e destacou a importância da iniciativa como instrumento de aproximação entre os povos. Segundo ele, o convite será encaminhado à Presidência da República togolesa e ao Ministério da Cultura, que deverão avaliar formas de colaboração institucional com o projeto. “Muito obrigado pelo carinho com o Togo. Se necessário teremos grupos culturais e tradicionais vindo ao Brasil. Vamos fazer acontecer”, ressaltou.

A expectativa é que o país africano participe ativamente do processo de construção do tema, contribuindo com informações históricas, culturais e acadêmicas que subsidiem o trabalho de pesquisa desenvolvido pelo Ilê Aiyê para apresentar essa temática no Carnaval.

A iniciativa reforça o papel do bloco como ponte entre Brasil e África, transformando a avenida em espaço de memória, identidade e reconhecimento histórico — onde o desfile é também narrativa, educação e afirmação política.

Confira a íntegrado da proposta no link anexo:

DOC-20260410-WA0017.