Senado mantém quebra de sigilo de “Lulinha” em nova derrota para o governo na CPMI do INSS

Política

Presidente da Casa, Davi Alcolumbre, rejeitou recurso governista nesta terça-feira (3); Fábio Luís é investigado por suposta ligação com esquema de fraudes previdenciárias

Foto: Marcos Oliveira

O cenário político em Brasília subiu de temperatura nesta terça-feira (3 de março de 2026). O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, rejeitou formalmente o pedido de anulação da sessão que aprovou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”, filho do presidente da República. A decisão consolida uma das maiores vitórias da oposição na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes bilionárias no INSS.

O Embate Regimental
A base governista vinha tentando, desde a semana passada, invalidar a votação ocorrida no dia 26 de fevereiro. Na ocasião, o requerimento contra Lulinha foi aprovado em uma votação em bloco, junto a outros 86 itens, o que gerou protestos imediatos de parlamentares aliados ao Planalto. O governo alegou que houve “manobra regimental” e que não houve clareza na contagem dos votos.
Contudo, Alcolumbre seguiu o entendimento da mesa diretora da CPMI, afirmando que o rito foi seguido conforme as normas do Congresso. Com a manutenção da decisão, os dados financeiros de Fábio Luís referentes aos últimos cinco anos deverão ser entregues à comissão nos próximos dias.

O Foco da Investigação: O “Careca do INSS”
O interesse da CPMI sobre o filho do presidente concentra-se em sua suposta relação com o lobista Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Antunes é apontado pela Polícia Federal como o operador central de um esquema que desviava recursos do sistema previdenciário através de auditorias forjadas e concessão irregular de benefícios.
Relatórios de inteligência que basearam o pedido de quebra de sigilo mencionam comunicações interceptadas onde interlocutores se referem a um “sócio oculto” e utilizam o codinome “filho do rapaz”. A oposição argumenta que os extratos bancários são fundamentais para verificar se houve fluxo financeiro entre as empresas de Fábio Luís e os alvos principais da Operação Previdência Limpa.

Cerco Judicial
A situação de Lulinha é complexa não apenas no Legislativo, mas também no Judiciário. Em janeiro de 2026, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, já havia autorizado o compartilhamento de dados fiscais do empresário com a Polícia Federal, em um inquérito que corre sob sigilo. A decisão da CPMI agora amplia o acesso dessas informações para o escrutínio político do Congresso.

Reações e Defesa
A defesa de Fábio Luís Lula da Silva reagiu com dureza, classificando a manutenção da quebra de sigilo como um ato de “perseguição política” e “espetacularização”. Em nota, os advogados afirmaram que o empresário não possui qualquer relação com os investigados e que sua movimentação financeira é totalmente compatível com suas atividades profissionais lícitas.

No Palácio do Planalto, o clima é de cautela. Interlocutores do presidente Lula evitam comentar diretamente o caso para não alimentar o desgaste, mas admitem, nos bastidores, que a continuidade das investigações na CPMI cria um “ruído desnecessário” em um momento de votações econômicas importantes no Congresso.

A expectativa agora recai sobre a convocação de Lulinha para depor. Embora o sigilo tenha sido quebrado, a base do governo ainda tenta articular um acordo para evitar que o filho do presidente seja obrigado a comparecer presencialmente à comissão antes do recesso de julho.