Com o tema “Descolonizar a África é libertar o Brasil”, manifestação homenageia Ibrahim Traoré e marca o ponto alto do 20 de Novembro na Bahia
Foto: Divulgação
A Bahia se prepara para viver mais uma edição da Caminhada da Liberdade, ato central do Dia da Consciência Negra em Salvador e considerado o maior evento de mobilização negra do país. A manifestação deste ano traz o tema “Descolonizar a África é libertar o Brasil”, com homenagem ao presidente de Burkina Faso, Ibrahim Traoré, símbolo da juventude africana que luta por soberania e autodeterminação.

Organizada pelo Movimento Negro Unificado (MNU), pelo Fórum de Entidades Negras da Bahia (FENEBA), por blocos afro, terreiros e coletivos culturais, a Caminhada mobiliza milhares de pessoas e integra o mais amplo conjunto de manifestações afro-brasileiras realizadas no território nacional. Para Raimundo Bujão, liderança do movimento negro baiano, o ato deste ano extrapola o simbolismo da data.
“Quando a gente diz que é preciso descolonizar a África e libertar o Brasil, estamos falando de consciência, unidade e coragem. A Bahia está mostrando ao país que povo negro organizado muda destino, muda história e não aceita voltar para o silêncio.”

A concentração acontece na sede do Ilê Aiyê, no Curuzu, território que há cinco décadas inspira identidade, resistência e afirmação da negritude baiana. De lá, o cortejo segue até o Pelourinho, lugar historicamente marcado pela violência colonial e hoje transformado em palco de valorização da cultura afro-baiana. O fundador do Ilê, Vovô, destaca a força desse percurso.
“O Curuzu é o coração da nossa ancestralidade. Daqui a gente caminha para o Pelô levando voz, tambor e identidade. Homenagear Ibrahim Traoré é lembrar que a luta pela liberdade é global — e a Bahia sempre esteve do lado da resistência.”
What do you feel about this post?
Like
Love
Happy
Haha
Sad
