Sinal de alerta para o PT na Bahia: pesquisa mostra desgaste do governo e vantagem de ACM Neto

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Levantamento revela empate técnico na corrida pelo governo, alta rejeição a Jerônimo Rodrigues e avaliação dividida da gestão; cenário acende alerta estratégico para o lulismo, que pode precisar mais da Bahia em 2026 do que nas eleições anteriores

Foto: Arte criada com IA

Por Zé Américo Silva

Uma nova pesquisa eleitoral realizada na Bahia acendeu um sinal de alerta dentro do campo governista e, especialmente, no núcleo político do Partido dos Trabalhadores no estado. O levantamento do instituto Realtime Big Data, feito com 2 mil entrevistas entre os dias 10 e 11 de março e margem de erro de dois pontos percentuais, mostra um cenário eleitoral competitivo, mas também revela fragilidades importantes do atual governo estadual e do próprio projeto político petista no estado. 

Pela primeira vez em muitos anos, o domínio político do PT na Bahia aparece sob pressão real, justamente no momento em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta um cenário nacional mais complexo e dependeria ainda mais da força eleitoral do estado.

Na simulação estimulada para o governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil) aparece à frente com 44% das intenções de voto, enquanto o atual governador Jerônimo Rodrigues (PT) registra 39%. A diferença de cinco pontos está dentro da margem de erro, configurando um empate técnico, mas com vantagem numérica para o ex-prefeito de Salvador. 

Na pesquisa espontânea — quando o eleitor cita o candidato sem receber nomes — o cenário revela outro dado preocupante para o governo. ACM Neto aparece com 14%, Jerônimo Rodrigues com 12%, enquanto impressionantes 62% dos eleitores ainda não sabem ou não responderam, indicando um enorme espaço de disputa e um eleitorado ainda pouco consolidado.

Além da disputa direta, a pesquisa revela um problema estrutural para o governo estadual: a rejeição. Quando perguntados em quem não votariam de forma alguma, 43% dizem rejeitar Jerônimo Rodrigues, índice ligeiramente superior ao de ACM Neto, que tem 42%.

Os números mostram que ambos os principais concorrentes possuem níveis elevados de rejeição, mas, no caso do governador, isso pesa mais politicamente porque ele é o detentor da máquina administrativa e da visibilidade institucional.

Outro dado relevante é a avaliação da gestão estadual. O governo Jerônimo Rodrigues aparece dividido diante da opinião pública, com 47% aprovando e 50% desaprovando a administração, o que indica um cenário de desgaste político e dificuldade de consolidação da gestão.

Quando se observa a avaliação qualitativa, o quadro se torna ainda mais complexo: apenas 25% classificam o governo como ótimo ou bom, enquanto 31% o consideram ruim ou péssimo, e 43% avaliam como regular.

Esse tipo de avaliação costuma indicar governos que ainda não conseguiram produzir uma narrativa política forte o suficiente para consolidar apoio eleitoral amplo.

No campo do Senado, o cenário permanece mais favorável ao PT. O ex-governador Rui Costa aparece liderando com 27%, seguido por Jacques Wagner com 21%, enquanto o senador Angelo Coronel soma 18% e João Roma aparece com 14%.

Apesar da liderança petista, a fragmentação dos votos mostra uma disputa ainda aberta, especialmente considerando que a eleição para o Senado permite dois votos por eleitor.

Mais importante do que os números isolados, entretanto, é o significado político desse cenário para o Brasil. Durante quase duas décadas, a Bahia funcionou como um dos principais pilares eleitorais do lulismo. Em diversas eleições presidenciais, o presidente Lula chegou ao segundo turno com larga vantagem no estado, muitas vezes compensando perdas em outras regiões do país.

Nas eleições anteriores, portanto, foi o capital político de Lula que ajudou a consolidar e manter o domínio do PT na Bahia.

Agora, pela primeira vez em muito tempo, a equação parece se inverter.

Com o presidente enfrentando maior desgaste nacional e um ambiente político mais polarizado, a expectativa natural seria que os governos estaduais petistas estivessem fortalecidos para sustentar o projeto político nacional.

A pesquisa, no entanto, indica um cenário diferente: um governo estadual dividido, um governador com alta rejeição e uma oposição competitiva.

Em termos estratégicos, isso significa que a Bahia pode deixar de ser apenas um reduto garantido e passar a ser um campo de disputa real nas próximas eleições.

Se esse quadro se consolidar, o desafio do PT baiano será duplo: recuperar a força política local e, ao mesmo tempo, ajudar a sustentar o projeto nacional liderado por Lula.

Em outras palavras, pela primeira vez em muitos anos, pode ser o lulismo que precisará da força política da Bahia — e não apenas o contrário.